Estilo italiano, estrutura e problemas extracampo: o futebol albanês segundo um brasileiro

Meia Victor Juffo de 24 anos defende o Flamurtari Vlore, vice-líder do campeonato local: "Aqui precisa de uma melhor organização"


Em 2016, a seleção da Albânia apareceu para o mundo do futebol ao disputar, pela primeira vez na história, uma grande competição internacional: a Eurocopa da França. E o país não fez feio. Caiu na fase de grupos, mas conseguiu uma inédita vitória na competição, diante da Romênia. Além disso, deixou muitos curiosos sobre o funcionamento do esporte na república que fica localizada na península Balcânica.

E o meia brasileiro Victor Juffo, em bate-papo exclusivo com a equipe De Primeira, ajudou a contar um pouco da história do futebol no país atualmente. Afinal, o jogador de 24 anos, que já passou por Rio Branco-ES e São Paulo, defende o Flamurtari Vlore, hoje vice-líder do Campeonato Albanês.

"O futebol aqui é muito diferente do nosso futebol brasileiro. Acredito que, se um brasileiro não estiver jogando no futebol europeu e vier para cá, vai sentir muita diferença. Precisa de um tempo para se adaptar. É um futebol de muita força física, muito corrido e de muita marcação. Aqui eles se espelham muito no futebol italiano", conta Victor.


Victor Juffo chegou em meados de 2017 ao Flamurtari, fundado em janeiro de 1921. O clube fica localizado no sudoeste da Albânia e na costa do Mar Adriático. Uma das mais tradicionais do país, a equipe faturou apenas uma vez o campeonato nacional - foi em 1990/1991 - e também coleciona outros títulos de menor expressão. Além de Victor, o atacante Danilo Alves, ex-Avaí e Criciúma, é o outro brasileiro do elenco. (Foto abaixo).

Neste ano, o clube está atrás do Skenderbeu, que venceu as seis das últimas sete edições do Campeonato Albanês e que tornou-se uma referência no futebol local. O clube é administrado por um grupo de empresários e políticos e, desde 2009/2010, tem tido presença constante na Liga dos Campeões e na Liga Europa.

"O futebol daqui precisa de uma melhor organização. Tem bons clubes, bons jogadores, bons estádios, mas acontecem muitas coisas fora das quatro linhas que deixam a desejar. Muitos problemas extracampo envolvendo a federação e outras coisas que afastam grandes jogadores e investidores daqui. Se não mudar isso, vai ficar sempre sendo um futebol mediano e não vai crescer, nem chegando a um patamar de maior expressão", afirma Victor Juffo.


Antes de chegar ao Flamurtari Vlore, Victor Juffo defendeu por três temporadas o Shkendija, da Macedônia, que nesta temporada ficou conhecido ao ser eliminado no playoff preliminar da Europa League pelo Milan.

Apesar do pouco tempo no país, o meia brasileiro tem reparado semelhanças entre os países que são vizinhos, principalmente no aspecto cultural. Para ele, o futebol albanês, apesar dos problemas extracampo, está alguns passos à frente do macedônio.

"As culturas e costumes são praticamente os mesmos da Macedônia. São países vizinhos e não vejo muita diferença. Já dentro do futebol você percebe muita diferença. O futebol albanês é bem mais evoluído e competitivo do que o futebol da Macedônia. É uma liga de clubes de maior expressão e com muita cobertura televisiva. Isso ajuda na divulgação dos jogos. Os estádios todos têm uma boa estrutura e cada jogo é definido nos detalhes", diz Victor.


Foi na Macedônia, por sinal, onde Victor viveu o pior momento da carreira. Sofreu uma grave lesão no ligamento de um dos joelhos e, com isso, não conseguiu ir para um centro maior na Europa. Pouco tempo depois, rumou à Albânia, onde possui contrato até o fim da atual temporada.

Em busca de novos objetivos, o brasileiro projeta, em breve, uma nova oportunidade no exterior.

"Eu falo que, se não fosse a lesão que eu tive de ligamento, eu certamente estava em um lugar bem melhor hoje. Meus primeiros meses de Shkendija foram muitos bons e tive propostas de grandes clubes da Europa. Mas o Shkendija não entrou em acordo devido aos altos valores que foram pedidos. E, logo depois da Liga Europa, eu me machuquei e fiquei 6 meses fora. Isso me prejudicou muito", lamenta o brasileiro.

Confira outros trechos da entrevista com Victor Juffo:

Recomeço após lesão e ida para a Albânia
"Quando voltei a jogar, eu não tive a mesma sequência. Mudaram muitas vezes de treinador e contrataram muitos jogadores da minha posição. Isso me fez mudar. Por isso vim para a Albânia com essa intenção de ter uma maior sequência de jogos e ir depois ir para um mercado melhor, porque eu sei que tenho potencial para isso".

O pior momento
"Já vou para o quarto ano fora do Brasil e já vivi muitos momentos. O mais difícil para mim foi quando eu me machuquei. Tive que operar e ficar em um hospital sozinho por 5 dias tendo um tratamento muito diferente do Brasil e sem nenhum apoio da família por estarem longe. Foram dias difíceis".

E o melhor
"Momentos bons graças a Deus foram muitos. Eu consegui títulos inéditos pelo Shkendija, o que mexeu com a cidade toda. Também teve a chegada ao último jogo das qualificações da Europa League. Não entramos, mas foi um marco histórico para o clube. Eles nunca passaram da primeira fase e chegamos ao último jogo. Era uma grande festa da cidade a cada fase que passávamos. Isso foi marcante para todos que participaram daquele grupo certamente".

O futuro
"Meu contrato aqui termina agora no meio do ano. Pretendo ir para um mercado melhor. Estou trabalhando para isso, vamos ver o que aparece no meio do ano. É deixar nas mãos de Deus e trabalhar para quem sabe conseguir esse objetivo".



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