Ex-Inter lembra passagem na Alemanha, histórias no Japão e conta como é conviver com Podolski

Wellington Tanque é uma das novidades do Vissel Kobe para 2018



Nesta sexta-feira, o tradicional Vissel Kobe foi o responsável por abrir a edição 2018 da J-League, a Primeira Divisão do Japão. Mas a equipe, que conta com o alemão tetracampeão mundial Lucas Podolski e com os brasileiros Leandro da Silva e Wellington Tanque, não saiu de um empate por 1 a 1 fora de casa contra o Sagan Tosu.

Wellington é, por sinal, uma das novidades do clube japonês para esta nova temporada. Foi contratado após marcar 19 gols em 38 jogos pelo Aviska Fukuoka, da Segunda Divisão nacional, em 2017.

E o brasileiro, revelado na base do Internacional e com passagem pelo Hoffenheim, da Alemanha, conversou com o Blog De Primeira sobre a chegada ao novo clube.


"Minha última temporada foi boa, marcando 19 gols, o que resultou na minha vinda para o Vissel Kobe. Estou confiante que será mais um ano bom para mim aqui. A liga é diferente e tem jogadores com mais qualidade", disse o brasileiro de 30 anos.

Um dos mais antigos clubes do Japão, o Vissel Kobe chamou a atenção na temporada passada ao contratar o atacante Lucas Podolski, ex-Bayern, Inter de Milão, Arsenal e que estava no Galatasaray, da Turquia.

Campeão com a seleção da Alemanha na Copa do Mundo em 2014, o jogador de 32 anos despertou a curiosidade do povo brasileiro ao realizar diversas postagens na internet sobre o Brasil e também sobre o Flamengo. Mas Wellington Tanque, no entanto, não se mostrou tão entusiasmado na convivência com ele.

"Esse é um assunto bem chato. Vi a repercussão que deu sobre ele no Brasil e criei uma expectativa muito grande em saber que iria atuar com ele. Mas meu contato com ele é só profissional, nada além disso", revela o brasileiro.



Wellington chegou ao Japão pela primeira vez em 2013 para defender o Shonan Bellmare. Ficou no clube até 2014, teve uma breve passagem pela Ponte Preta e se transferiu ao Avispa Fukuoka em 2015. Se tornou rapidamente referência no clube japonês da Segunda Divisão e teve seu melhor momento justamente em 2017. 

Durante este período no país asiático, Wellington conta que conviveu com algumas situações para lá de curiosas.

"Uma vez vieram me perguntar se tinha problema eles pagarem meu salário antes do dia de receber. Eu comecei a rir. Um amigo meu disse que uma vez o clube pagou o salário dos jogadores um dia depois do dia marcado, e o pessoal responsável foi no clube pedir desculpas aos jogadores", recorda o atacante, que ainda conta outro causo bem inusitado. 




"Tem alguns lugares que é difícil ter estrangeiros, ainda mais negros. Isso aconteceu com um amigo, quando um japonês pediu para tocar nele e no cabelo dele".

INÍCIO PROMISSOR

Wellington é um daqueles muitos casos de jovens brasileiros que deixam o país cedo diante à cobiça de clubes europeus. Revelado pelo Internacional, ele subiu aos profissionais em 2007, logo durante uma das melhores fase da história do Colorado.

No entanto, sem espaço, acabou enfrentando empréstimos para São Caetano e Náutico. Em 2008, já estava negociado com o Hoffenheim, da Alemanha.

"Realmente eu saí muito cedo do Brasil. É difícil falar de oportunidade, até porque não imaginava subir ao profissional logo após o título mundial. A concorrência era muito grande no ataque, o que dificultou para mim. Tinha Fernandão, Pato, Luiz Adriano, Iarley, Christian. Mas eu queria ter tido mais oportunidade sim, acho que isso iria fazer a diferença na minha carreira", lembra.


Wellington Tanque chegou ao Hoffenheim na temporada 2008/2009 e encontrou outros três brasileiros: Fabrício, Carlos Eduardo e Luiz Gustavo. De cara, teve a missão de substituir o artilheiro do clube, o bósnio Ibisevic, que sofreu uma grave lesão àquela altura.

"O futebol alemão é espetacular, gostei muito de ter jogado lá. Para mim, foi diferente sair do Brasil no clima quente e chegar lá no inverno, com um estilo diferente de jogo, onde o centroavante tem que participar mais do jogo. A estrutura dos clubes e a organização me impressionaram quando cheguei. Minha família e eu gostamos demais de morar lá, porque as coisas funcionam, tem segurança, saúde..."

Sem conseguir se firmar no Hoffenheim, o atacante brasileiro encarou empréstimos para o Twente, onde foi campeão holandês, e para o Fortuna Dusseldorf, também alemão. A partir daí, voltou ao Brasil e defendeu Figueirense, Goiás, Linense, Pelotas até se transferir ao futebol japonês.

"Devido à minha saída prematura do Brasil, sem muita experiência, dificultou na minha adaptação no futebol alemão, por isso aconteceu de ser emprestado. Gostaria de ter tido mais oportunidades. Acho que meu estilo de jogo se encaixa muito bem no futebol alemão, mas, na época, foi difícil".


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