Origem alvinegra, andarilho e poliglota: a carreira de Rian Marques

Agora empresário, ex-jogador cria do Bota recorda volta ao mundo e histórias

São sete países: Argélia, Bélgica, Finlândia, Catar, Tailândia, China e Holanda. E histórias incontáveis. Rian Marques viajou mundo afora graças ao futebol e orgulha-se de cada passo da trajetória. O ex-meio de campo bateu um papo com a equipe De Primeira para recordar os passos de uma carreira que teve início no Botafogo na década de 1990 e chegou ao ponto final em 2014.

Rian Marques deixou o Brasil em 1998 para tentar a sorte no PSV. Defendeu o time B e de juniores do tradicional clube holandês. Apesar de não ter defendido a equipe principal, conviveu com alguns astros do futebol por lá e deu os primeiros passos internacionalmente.

"Eu estava no Botafogo. Estava com poucas chances no juniores, oscilando na reserva. E, em 1998, surgiu um convite por meio de um empresário holandês para eu ir à Holanda. Eu fui para o PSV, onde fiquei no juniores e no segundo time. Fiquei por um ano e meio lá. E consegui pegar o Van Nisterooy o voltando de lesão, Luc Nilis... Depois eu fui para a Bélgica", recorda Rian atualmente com 35 anos.


Natural de Saquarema, na Região dos Lagos do Rio, Rian deixou a Holanda no início dos anos 2000 para defender o modesto KV Turnhout, da Bélgica. Permaneceu por lá até receber um convite bem inusitado em 2003: se transferir para o Ouargla Hassi Messaoud, Argélia. No país africano, viveu uma das maiores aventuras da vida e cometeu certamente a maior gafe da carreira.

"Fui para lá sabendo muito pouco da cultura do país. Eu acertei com pressa, porque estava em fim de contrato no meu antigo clube. Acabou o meu primeiro treino, e eu fui para o vestiário. Eu me despi, o que é normal aqui no Brasil, mas foi uma gritaria no vestiário, porque isso lá não pode por ser um país muçulmano. Trouxeram uma toalha, pedi desculpa, mas valeu o aprendizado", recorda aos risos o ex-jogador, que ainda lembra do aperto que sofreu durante a estadia por lá.


"Eu morava em um campo de petróleo e gás, de uma empresa que patrocinava nosso clube. Eu era solteiro, era só eu e Deus. Na janela do meu quarto eu via o deserto do Saara. Ali dava vontade de ir embora, mas eu precisava dessa chance. Ali foi quando eu ganhei meu primeiro dinheiro, quando as coisas começaram a melhorar. Mas era tudo diferente, era deserto, estava sozinho. Foi um aprendizado".

Depois da passagem pela Argélia, Rian desandou pelo mundo e defendeu Pallo-Iirot, Finlândia; Al-Mesaimeer e Al-Shamal, do Catar; Bangkok United, Nakhon Ratchasima e Thai Honda FC (seu último clube na carreira), da Tailândia; além de Biu Chun Rangers e Yuen Long, de Hong Kong, região que pertence à China.

Aprendeu seis idiomas (inglês, francês, espanhol, finlandês, árabe e tailandês) e conviveu com diversas culturas até se aposentar no ano de 2014. Passou a trabalhar como empresário de jogadores brasileiros e atua principalmente na Ásia. Grato ao futebol pelas oportunidades, o ex-meia guarda apenas uma frustração: não ter defendido profissionalmente o clube de coração.


"Ah, faltou jogar pelo Botafogo. Um sonho que jamais vai se realizar. Jogar pela base eu consegui, mas pelos profissionais eu não tive essa chance. Foi o ponto frustrante da minha carreira. Sempre falei para todo mundo que iria jogar pelo Botafogo e falava isso para o meu avô, que era botafoguense apaixonado. Foi o único ponto negativo mesmo", encerra.

Confira outros trechos da entrevista com Rian Marques:

O auge
"O meu melhor momento foi no Catar. Fiquei três anos. Sempre esperei uma chance de ir para lá. Não pela vitrine, mas para jogar mesmo. Já fui quando eu estava mais perto de parar, mas foi a melhor parte".


Chegada à Holanda

"Ah, são várias histórias na Holanda. Eu cheguei lá falando quase nada de inglês. Peguei -12, -10 graus. Imagina eu saindo daqui do interior do Rio, da Região dos Lagos, vivendo tudo isso? Foi tudo muito novo. Quando eu chegava no treino, o engraçado era que os jogadores só iam de Mercedes, só carrão. E eu chegava de bicicletinha (risos). Era bacana".

Arrependimentos?

"Eu dei muita sorte. Sempre tive contratos pequenos, mas graças a Deus não me arrependo de nada em todos esses clubes. Sempre recebi em dia. Arrependimento eu nunca tive".


Gratidão ao futebol

"Eu primeiro agradeço a Deus por essas oportunidades. Se não fosse o futebol, eu não teria como comprar uma passagem na época para viajar como eu viajei. Não tinha condições. E o futebol me proporcionou tudo isso. Conheci cinco continentes, outras culturas... Tudo isso graças ao futebol".




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