Pioneirismo, "trollagem" de Casão e carinho eterno: japonês Koichi não se esquece do Timão

Primeiro nipônico a jogar pelo Corinthians recorda passagem pelo Brasil


Já se passaram mais de 20 anos, mas tudo o que Koichi Hashimoto passou entre 1993 e 1994 no Corinthians ainda é guardado minuciosamente em sua cabeça. Primeiro e o único japonês a vestir a camisa do Timão, ele não esquece das histórias vividas no Parque São Jorge, muito menos do carinho que tem pelo clube.

Atualmente aos 49 anos e morando no Japão, Koichi aceitou falar com a equipe De Primeira durante as férias na Itália para recordar o período no Corinthians.

"Eu tenho um carinho muito especial pelo Corinthians. Até hoje eu agradeço a Deus e ao Corinthians por essa oportunidade de ter jogado lá. Em todos os dias eu vivi com grandes craques no lado, como Tupã, Viola, Zé Elias, Marcelinho Carioca, Ronaldo, Ricardo, Silvynho, entre outros. Todos os dias foram inesquecíveis , foram grandes momentos, mesmo eu sendo reserva. Só de estar lá com eles valeram os momentos", disse Koichi, que atuava como meio de campo.

O ex-jogador nipônico chegou ao Brasil na década de 1980 para tentar o sonho de ser jogador de futebol. Naquele momento, era comum serem vistos jogadores japoneses buscando a sorte no Brasil, já que em seu país natal o futebol profissional sequer existia. 

"Meu tio mora aí no Brasil. Por meio dele eu arrumei um teste no XV de Jaú. Passei nesse teste no infantil e comecei a jogar a Copa São Paulo pelo infantil e outros campeonatos", conta Koishi.

O ex-jogador se profissionalizou aos 18 anos de idade pelo XV de Jaú. Depois, rodou por Comercial-MG, Central de Caruaru-PE e Jeff United, do Japão. Em 1993, chamou a atenção do Corinthians e se transferiu para o Parque São Jorge.


Lá, conviveu com diversos ídolos corinthianos, mas não foi aproveitado. Foi utilizado apenas duas vezes pela equipe principal em amistosos contra times japoneses no início de 1994. Na única vez em que iria receber uma chance de fato, contra o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro, sofreu uma grave lesão em um dos joelhos. Pouco tempo depois, deixou o clube.

"Claro que a lesão me atrapalhou. Até hoje eu me lembro. Naquele momento eu estava conseguindo estrear no time principal, mas a lesão me tirou todas as esperanças e oportunidades", lamenta.

"TROLLAGEM" DE CASAGRANDE

Apesar da frustração por não ter atuado no time de cima do Corinthians oficialmente, Koichi ao menos guarda um bocado de histórias daquele momento. Uma delas, com o ex-atacante Casagrande, que lhe deu um apelido que rende brincadeiras até hoje.


"O Casão é meu amigo até hoje. Ele me dava muita atenção. Quando eu tive meu problema no joelho, eu perguntei a ele 'O que tenho no meu joelho, Casão?' O Casão e o Dr Joaquim (Grava) respondiam 'Menopausa'. Eu não sabia de nada e, quando um repórter me perguntou o que eu tinha, eu respondi que tinha menopausa no joelho (risos). Por isso até hoje, quando encontro jogadores que jogaram comigo, me perguntam 'E a menopausa no joelho, já melhorou?' (risos)", recorda.

A VIDA PÓS-CARREIRA

Depois de deixar o Corinthians, Koichi ainda defendeu diversas equipes: Kashiwa Reysol-JAP, San Jose-EUA, Paraná Clube e Santa Cruz até se aposentar dos gramados definitivamente. Atualmente, ele trabalha como agente Fifa e representa quatro clubes japoneses no Brasil: FC Tokyo, Cerezo Osaka, Yokohama Marinos e Omiya Ardija. 


"Eu moro no Japão desde que eu parei. Meus amigos Marcelo Didian e Fabinho me ajudaram no início como empresário, me orientaram. Graças a meus amigos, já fiz várias negociações com grandes nomes, como o Araújo, que jogou no Goiás, e mais recente com o Pablo, do Atlético-PR, e o Kayke, do Bahia", encerra o japonês.



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