Volta de investimento, tradição e aposta em jovens: brasileiro crê em retomada do futebol húngaro

Cirino defende o Honvéd, clube onde Puskas fez história 

Até meados do século passado, a seleção da Hungria era considerada umas das principais potências do futebol mundial. Tanto que faturou por três vezes a medalha de ouro olímpica (1952,1964 e 1968) e foi duas vezes vice-campeã mundial (1938 e 1954), quase sempre liderada por um dos maiores jogadores de todos os tempos: Ferenc Puskás.

Mas, a partir de 1972, depois de um quarto lugar na Eurocopa disputada na Bélgica, o país nunca mais obteve a glória alcançada pelos Mágicos Magiares, como a seleção nacional era chamada. Não disputa uma Copa do Mundo desde 1986 e só voltou a jogar uma Eurocopa em 2016 após mais de 40 anos. 

Mas um jogador brasileiro nascido em Sorocaba-SP, que conhece como poucos o país localizado na Bacia dos Cárpatos, acredita que a Hungria em breve terá dias melhores. Ele se chama Danilo Cirino, que bateu um papo exclusivo com o Blog De Primeira.


(Foto: Hungria fez história até meados do século passado e foi duas vezes vice da Copa)

"O futebol húngaro tem a sua história e foi palco de grandes jogadores que atuaram nos grandes europeus. Deixou de ser uma força com o passar dos anos provavelmente pela falta de investimento no esporte. Mas agora está ressurgindo novamente", conta o atacante de 31 anos.

Danilo Cirino defende o Budapest Honvéd, clube onde Puskás foi revelado e fez história até 1956, quando deixou o país para se transferir ao Real Madrid devido aos conflitos da população húngara contra as imposições comunistas da União Soviética.

O brasileiro está em sua segunda passagem pelo clube dono de 13 títulos nacionais - já havia atuado por lá entre 2010 e 2011. Figura conhecida no país, Cirino listou uma série de medidas que têm sido adotadas no futebol local atualmente para que um retorno ocorra no futuro.


"Creio que a mudança necessária já está sendo feita. O primeiro-ministro do país, junto com governantes, está disponibilizando aportes financeiros para as equipes construírem novos estádios e centros de treinamento. Tudo moderno e com a estrutura que favorece a lapidação de novos talentos. Os clubes que jogam com dois atletas sub-21 no time titular recebem uma significativa quantia em dinheiro da federação. Mudaram regras em relação à estrageiros e organizaram o campeonato de maneira que não exista atraso de salário desde 2012. Na minha visão, esse é o caminho", diz.

O RESSURGIMENTO

O Budapest Honvéd foi fundado em 1909 com o nome de Kispest e só trocou de identidade após a Segunda Guerra Mundial devido a uma ordem do governo soviético, que comandava o país à época. A equipe formava, inclusive, a base da histórica seleção húngara e viveu o ápice justamente entre as décadas de 50 e 60. 

O clube, no entanto, enfrentou um declínio ao longo das últimas décadas e viveu a pior fase na virada dos anos 2000, quando foi rebaixado pela primeira vez na história à Segunda Divisão. 

Outras equipes, como Ferencváro e Debreceni, passaram a assumir o protagonismo local, mas sem nenhum destaque internacional. O ressurgimento do Honvéd aconteceu após a equipe ser comprada pelo empresário americano George Hemingway em 2006. E a coroação veio na temporada 2016/2017, quando o Honvéd voltou a vencer o campeonato nacional após 24 anos. 

Depois do caneco, Cirino voltou ao clube em meados do ano passado depois de passagens por clubes da Suíça, Cazaquistão, Ucrânia, Tailândia e Emirados Árabes.



"Honestamente, no momento em que tive a possibilidade de voltar, eu não pensei muito. Tive um grande momento da carreira aqui e senti que era o momento de voltar. Não me arrependo, me sinto em casa aqui e conheço todos do clube. Alguns jogadores da minha época ainda estão aqui. O time tinha sido campeão poucas semanas antes de eu chegar. Pude participar da fase eliminatória da Champions League, mas perdemos para o Hapoel Be'er Sheva e fomos eliminados. Mas está sendo válido", conta o brasileiro, que não esconde a admiração pela capital do país, onde mora.

"Sou suspeito para falar de Budapeste. Sou apaixonado pela cidade, que é turística e cheia de história. Moro em frente ao Rio Danúbio, que corta a cidade e atravessa o país, vindo da Floresta Negra, na Alemanha, e que desagua na Romênia. Seus castelos, igrejas, ponte sobre o rio, a segurança no país e a qualidade de vida me agradam muito. Minha esposa e meu filho estão adorando morar aqui".



Nesta temporada, o Budapest Honvéd ocupa a quarta colocação do Campeonato Húngaro, liderado pelo Ferencváros. Vinculado ao histórico clube até o meados de 2019, Danilo Cirino projeta retornar ao Brasil ao término do contrato. 

Afinal, já soma mais de uma década jogando no exterior, onde também já passou por Polônia, República Tcheca e Eslováquia.  

"Neste momento, estou muito feliz aqui. Estou trabalhando duro e me mantendo na melhor condição física. Estou com 31 anos e penso sobre voltar ao Brasil ao término desse meu contrato aqui. Falta um ano e meio ainda, mas já me planejo para ter esse desafio na carreira". 



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