Pioneirismo na Premier League, dupla Gre-Nal e saudades do Brasil: um bate-papo com Gavilán

Agora técnico, paraguaio revela carinho por rivais de Porto Alegre 



No início dos anos 2000, o futebol paraguaio vivia um dos melhores momentos da sua história. Afinal, a seleção nacional contava com uma safra que reunia, por exemplo, Chilavert, Arce, Gamarra, José Cardozo e Roque Santa Cruz. E, nesta geração, lá estava Diego Gavilán, um dos maiores volantes que defenderam o país e que, no Brasil, rodou por Inter, Grêmio, Portuguesa e Flamengo.

E o Blog De Primeira encontrou o ex-jogador, atualmente com 38 anos e morando no Paraguai. Agora treinador, ele recordou o período em que viveu no Brasil e não escondeu a admiração e o carinho pela dupla Gre-Nal. 



E isso tem uma explicação. Pelo Inter, foi tricampeão gaúcho (2003, 2004 e 2005) e, com a camisa do Grêmio, venceu o estadual e foi vice da Libertadores em 2007 na decisão contra o Boca Juniors, da Argentina.

"(Os melhores momentos) foram nos anos em que joguei nos times de Porto Alegre, em 2003, 2004, 2005 e 2007. Os dois clubes me trataram muito bem. No Inter foram três anos e, no Grêmio, um", conta.

PIONEIRO NA PREMIER LEAGUE

Diego Gavilán começou a carreira no Cerro Porteño, onde se profissionalizou em 1997. Ficou no clube até ser comprado pelo Newcastle em janeiro de 2000 por cerca de dois milhões de libras na época. 


Naquele mesmo ano, fez a sua estreia pelo clube e tornou-se o primeiro paraguaio a jogar a bilionária Premier League da Inglaterra - que começou a ser disputada em 1992. Em 1991, o compatriota Ramón Hicks chegou a ser contratado pelo Manchester United, mas deixou o clube antes da reforma no campeonato nacional.

No Newcastle, Gavilán foi comandado pelo lendário técnico inglês Sr. Bobby Robson, mas defendeu o clube em apenas oito jogos e marcou um gol. Depois, foi emprestado para o futebol mexicano antes de iniciar a aventura no Brasil em 2003, no Inter.


O paraguaio, aliás, lembra da diferença do futebol inglês na época em relação à badalada liga atualmente.

"Hoje é muito diferente, sinceramente. Na época, era mais estilo inglês mesmo, com bolas longas, segundo bola, etc. Hoje já temos várias equipes com ideias bem ofensivas. É mais jogado. Lógico que isso tem a ver com treinadores estrangeiros. São outras formas ou ideias em relação ao jogo", relata.

HISTÓRIA NA SELEÇÃO

Gavilán começou a ser convocado em 1999 para a seleção paraguaia. Participou das Eliminatórias para a Copa do Mundo em 2001 e, em 2002, disputou o Mundial realizado na Coreira do Sul e no Japão.

Durante a competição, atuou em três jogos. Contra a África do Sul e Alemanha, entrou no segundo tempo e, diante da Espanha, foi titular nos 90 minutos. O Paraguai, no entanto, acabou eliminado nas oitavas de final pela seleção alemã, que logo depois perderia o título para o Brasil.


Em 2006, Gavilán voltou a ser convocado para a Copa do Mundo e esteve na Alemanha, mas não chegou a ser utilizado pelo técnico uruguaio Aníbal Ruiz.

No total, o ex-volante soma 43 convocações pelo país sul-americano, que não disputará a Copa do Mundo pela segunda vez seguida. Afinal, o Paraguai não participou do Mundial do Brasil em 2014 e não conseguiu a classificação para estar na Rússia neste ano.

"Estamos sofrendo uma transição importante. Temos jogadores bons, mas ainda sem a suficiente maturidade para sermos uma seleção forte e protagonista de uma eliminatória, como acontecia nos anos anteriores", afirma Gavilán.


SAUDADES DO BRASIL

Durante a carreira, Gavilán chegou a passar por diversas outras equipes: Newell's Old Boys-ARG, Independiente-ARG, Olímpia-PAR e Juan Aurich-PER. Prejudicado por algumas lesões, decidiu se aposentar precocemente aos 32 anos.

A partir daí, investiu na carreira como treinador e já trabalhou por algumas equipes no futebol paraguaio: Deportivo Capiatá, Trinidense e Sol de América, seu último clube.


Atualmente desempregado, o paraguaio não esconde o desejo de um dia voltar ao Brasil para comandar uma equipe e para matar a saudade de alguns hábitos adquiridos por aqui.

"É um dos meus objetivos como treinador. Gostei muito do Brasil. É a minha segunda casa. Meus filhos são brasileiros. Então sempre estou ligado com o país. Do que eu mais sinto falta é do mar, das caminhadas pelos bairros, do chimarrão na praça (risos)...", encerra.


Fotos: Arquivo Pessoal

Comentários