Ex-promessa do Flamengo vira músico de grupo de pagode para superar depressão e lesões

Sem jogar há dois anos, Lucas Quintino revela ajuda da música para vencer o drama longe dos gramados. Ele foi campeão da Copinha pelo Fla em 2011



Perseverança. Esse é o nome da música cantada por Xande de Pilares que Lucas Quintino mais gosta. Mas também é um substantivo que serve para definir muito bem os dois últimos anos da carreira da ex-promessa das categorias de base do Flamengo. Afinal, desde 2016 o jogador campeão da Copinha de 2011 pelo Rubro-Negro tem sofrido com graves lesões e vivido um verdadeiro drama.

"Dá para fazer um livro da minha história", conta ele.


Após romper o ligamento do joelho esquerdo, entrou em depressão, encarou uma outra doença e teve que se agarrar ao mundo da música para superar o momento mais difícil da vida. Aos 26 anos, Lucas conta ao Blog De Primeira que virou cavaquinhista do grupo de pagode Colé Nego, que toca em bares e casas de shows na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

"Eu gosto muito de samba, de pagode. Eu tenho um grupo de pagode com amigos. É um jeito de não ficar estressado. É complicado porque às vezes as pessoas olham e falam "Olha lá, não quer saber de nada, só quer saber disso". Mas não sabem o que a gente passa. É complicado essa vida de atleta. O futebol é muito difícil. Mas eu não posso deixar cair".


Formado nas categorias de base do Flamengo, onde chegou aos 5 anos idade, Lucas Quintino despontou na conquista da Copa São Paulo de Juniores de 2011, quando terminou a competição como artilheiro do clube. No ano seguinte, chegou a atuar em alguns jogos pela equipe principal e fez parte do grupo que disputou a Libertadores.

Sem espaço no Rubro-Negro, rodou emprestado por Atlético-GO, Santa Clara (Portugal) e acabou deixando o clube. Em 2016, disputou a Série C do Brasileiro pelo Macaé, onde fez a sua última partida oficial - foi no dia 23 de julho, na vitória por 1 a 0 sobre a Portuguesa.

"Minha última partida pela Série C do Brasileiro pelo Macaé. Depois eu fui para a Tailândia aconteceu tudo".


O DRAMA

No fim de 2016, Lucas se transferiu para o Rayong, da Tailândia. Em um amistoso de pré-temporada, sofreu uma lesão no pé e retornou ao Brasil para se tratar. Recuperado, rompeu o ligamento do joelho esquerdo numa partida entre amigos. A partir daí, deu de cara com dois problemas graves.

"Eu entrei em depressão legal. Bateu crise e tudo, estresse, porque é muito tempo parado, operado. Caiu cabelo da minha cabeça por causa do estresse. Acho que o nome da doença é Alopesia (foto abaixo). Caia a barba, maior doideira. Mas eu fui superando. Minha família, meu pai e minha mãe me ajudaram muito", relata ele, que, não escondeu o medo de não voltar a jogar profissionalmente após a lesão no joelho.



"Batia uma preocupação, porque eu sentia muita dor depois da cirurgia até o sexto mês. Tem gente que já volta com seis, cinco meses. Fiquei com muito medo, porque eu ia correr, fazer exercício e eu sentia muita dor. Aí eu parava de fazer as coisas. Mas a dor foi sumindo, a perna foi ficando mais forte e hoje, graças a Deus, não sinto mais nada".

Para superar os momentos difíceis, Lucas Quintino se abraçou ao samba. Recuperado das lesões e se mantendo em forma, acredita que novas oportunidades aparecerão após a Copa do Mundo.

Apesar da curta carreira na música, ele sonha mesmo em retornar aos gramados e fazer o que mais ama: jogar futebol.

"Eu gosto muito de música. Toco violão, toco cavaquinho. Então eu toco em casa, com os amigos. Tento distrair a cabeça sempre, mas sempre fico pensando em futebol, porque é que eu faço, né? O tempo vai passando, e eu fico preocupado. Mas agora eu já estou recuperado. Tive algumas coisas para jogar a Série B do Carioca que está rolando, mas eu preferi me preparar melhor. Vamos ver o que aparece depois da Copa", encerra.

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