Maicon Bolt revela motivo de não ter fechado com o Flamengo: "Optaram pelo Geuvânio"

Atacante do Antalyaspor ainda abriu as portas para retornar ao Fluminense

Por Mateus Marinho

Maicon Bolt já está na sua nona temporada na Europa. Seis delas somente na Rússia, onde deixou o nome marcado na história do Lokomotiv Moscou. Em 2017, deixou o país e acertou a sua transferência para o Antalyaspor, da Turquia, clube que defende até hoje. Mas por muito pouco o atacante não deu uma pausa em sua trajetória no exterior para retornar ao Brasil.

Em entrevista exclusiva ao Blog De Primeira, o atacante de 28 anos, revelado pelo Fluminense, revelou que foi procurado pelo Flamengo em 2017, assim que terminou o contrato com o Lokomotiv.

A negociação, no entanto, não seguiu adiante após o clube carioca optar por um outro jogador no mercado: Geuvânio, que ainda faz parte do elenco rubro-negro, mas tem sido pouco utilizado.

“Com o Flamengo teve uma conversa, sim. Teve uma sondagem do Rodrigo Caetano (diretor de futebol do Fla na época). Ele procurou meu empresário, perguntou sobre mim, se eu tinha interesse em jogar no Flamengo, essas coisas todas. Só que eles optaram pelo Geuvânio. Eles acabaram que mudaram os planos e optaram pelo Geuvânio. Acabou que me deixaram como segunda opção e depois eu vi que fecharam com o Geuvânio. Aí mudei meu foco totalmente", conta Maicon.


Revelado na base do Fluminense, Maicon despontou no ano de 2008. Veloz dentro de campo, rapidamente caiu nas graças do torcedor tricolor e ganhou o apelido de Bolt, em referência ao ex-velocista jamaicano. 

Com passagem pelas seleções de base do Brasil, virou protagonista do Flu em 2009, quando o clube conseguiu uma incrível arrancada para se livrar do rebaixamento no Brasileirão e ainda chegou à final da Sul-Americana - perdeu a decisão para a LDU. Naquela temporada, marcou cinco gols em 40 partidas. 

“Eu subi em 2008, o Fluminense estava na Libertadores. Joguei algumas partidas do Carioca, mas, no resto do ano, eu joguei pouco. Em 2009, o Flu contratou muitos atacantes, e eu era a sexta, sétima opção no ataque. Mas tudo aconteceu de uma maneira muito especial. O time estava brigando contra o rebaixamento e quando eu retornei do Mundial sub-20 com a Seleção, o Cuca me colocou para jogar e eu consegui fazer bons jogos. 

O Fred voltou a marcar e eu participei de muitos gols dele, dando assistências. O grupo do Fluminense era brilhante, não merecia ser rebaixado. Aquele 1% de chance de não cair foi Deus. Ele nos proporcionou a permanência na Série A. Eu acredito que Deus já tinha um caminho traçado para mim”.


Em 2010, Maicon acabou negociado com o Lokomotiv Moscou e iniciou a sua trajetória no futebol europeu. Por lá, fez 185 jogos oficiais e venceu duas vezes a Taça da Rússia. Apesar dos anos longe do Fluminense, Maicon Bolt sempre é lembrado pelo torcedor do clube.

Vinculado ao Antalyaspor até 2020, ele deixou aberta as portas para o Tricolor no futuro para retomar a sua trajetória na equipe onde foi formado.

"Lógico que eu tenho vontade (de voltar ao Fluminense). É um clube que me proporcionou hoje as coisas que eu tenho. Foi o início da carreira. Foi o início de tudo. Tenho um carinho enorme pelo Fluminense. Seria um prazer retomar a minha história no Fluminense e, se um dia tiver uma sondagem, alguma coisa concreta, eu iria analisar, lógico. Se for bom para mim, se for bom para a minha família, se tiver dentro daquilo que eu penso, quem sabe eu não possa retomar a minha história do clube e até quem sabe eu possa me aposentar no clube. Seria uma história bem linda, ter começado e ter parado no clube. 


Por enquanto eu estou focado no Antalya. Tenho um ano e meio de contrato aqui ainda. Tenho que continuar trabalhando e ver o que pode acontecer. Lógico que se o Fluminense um dia de repente pretender uma possível volta minha, eu ficaria muito feliz”, afirma.

Maicon, no entanto, afirmou que, apesar das especulações que já aconteceram sobre uma possível volta ao Fluminense, nunca foi procurado oficialmente por algum diretor do clube carioca.

"Do Fluminense não houve nada concreto, só especulação mesmo. Mas até hoje os torcedores me escrevem, me pedem para voltar. Seria um prazer retomar a minha história no Fluminense e quem sabe eu possa me aposentar no clube. Mas por enquanto eu estou focado no Antalya”, garante.

VIDA NA TURQUIA

Maicon chegou à Turquia no ano passado para defender o Antalyaspor. Pelo clube, disputou 32 partidas e marcou 5 gols na primeira temporada. Teve, inclusive, a oportunidade de atuar ao lado de um dos principais atacantes da história do futebol mundial: Samuel Eto'o, ex-Barcelona, Inter de Milão e Chelsea.

“Foi um prazer jogar com ele, que é uma referência no futebol mundial. No dia a dia ele era um cara normal, sempre procurava aconselhar a todos. Era como um treinador dentro de campo. Ele conhece o Brasil, falava um pouco de 'portunhol' (risos). Ele acompanhava alguns jogos do Brasil, conhecia muito o futebol brasileiro, até pelo fato de ter jogado com muitos brasileiros nos clubes por onde passou. Vou guardar essa experiência comigo para sempre”, lembra Bolt.

Com problemas financeiros, o Antalyaspor perdeu, ao longo da temporada, alguns dos seus principais jogadores: os franceses Samir Nasri e Jeremy Ménez, além de Samuel Eto'o e o brasileiro Sandro, ex-Tottenham. O fraco desempenho no Campeonato Turco ainda culminou com a demissão do técnico Leonardo, hoje dirigente do Milan.


Segundo Maicon, problemas políticos vividos pelo país têm afetado diretamente o futebol local.

“O clube está em um momento muito difícil esse ano. A crise entre a Turquia e os Estados Unidos está afetando o futebol também. Nosso time tem muitos jovens que vieram da base, que estão nos ajudando e fortalecendo o elenco”.

Apesar da vontade de retornar ao Brasil, Maicon Bolt  citou um problema que faz pensar em sua continuidade na Europa.

“Saí do Brasil com apenas 20 anos com o pensamento de ficar 10 anos na Europa. Já estou há 8 anos, ainda falta um pouquinho. Mas isso pode mudar, vai depender do momento no clube e tal. Penso sim em voltar ao Brasil para encerrar a carreira, mas a situação do nosso país me faz repensar. A violência é o que me assusta um pouco. Penso muito na minha família”, conta.

Atualmente, o Antalyaspor é o décimo colocado no Campeonato Turco. Por lá, Maicon atua ao lado de outros quatro brasileiros: Diego Angelo, Charles, Danilo e Chico, que recentemente também bateu um papo com o Blog De Primeira.

“A convivência com os brasileiros é a melhor possível. Eles me deram todo o suporte para eu chegar aqui e ficar bem. Eu já tinha jogado com o Charles no Lokomotiv (Rússia). Nós cinco somos como uma família, sempre um aconselhando o outro, dando força para treinar forte. Isso ajuda bastante. É bem legal o que os brasileiros fazem uns pelos outros”, encerra.

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