Vida na Turquia e título com Felipão: um bate-papo com Chico

Brasileiro renovou com o Antalyaspor e vai para o quinto ano no país

Por: Mateus Marinho

Chico vai para a sua quinta temporada na Turquia e sequer pensa em sair de lá por enquanto. O experiente zagueiro/volante atualmente defende o Antalyaspor e bateu um papo exclusivo com o De Primeira sobre a experiência no país europeu.   

Adaptado por lá e de contrato renovado, o jogador de 31 anos contou sobre a paixão dos torcedores turcos pelo futebol e também sobre diferença dos três principais clubes do país para os demais.   
  
“A torcida turca é igual a brasileira, muito apaixonada. Eles respeitam muito o futebol. Aqui na Turquia tem os três times de maior tradição: Besiktas, Galatasaray e Fenerbahçe. Esses times grandes gostam de ficar com a bola, eles contam com jogadores renomados. Muito por causa da diferença estrutural, financeira, de marketing, de mídia, essas coisas. Nos outros times o futebol é muito físico, de corpo a corpo, marcação alta. É o jeito de diminuir a diferença para os três maiores”, disse o brasileiro.     


Chico chegou à Turquia no segundo semestre de 2014 para defender as cores do Gaziantepspor. Na temporada 2015/2016, se transferiu ao Antalyaspor e soma 61 partidas oficiais desde então.     

Nestes quatro anos de futebol turco, o ponto alto foi em 2016/2017, quando ele fez parte da campanha mais vitoriosa da história do Antalyaspor. O modesto time de 52 anos terminou o Campeonato Turco em quinto lugar e, por pouco, não foi à Liga Europa. Na ocasião, o camaronês Samuel Eto'o fazia parte da equipe do brasileiro.  

“Nós fizemos a melhor campanha da história do clube. Batemos todos os recordes do clube, de melhor ataque, melhor defesa, maior número de pontos. O carinho dos torcedores foi muito legal”, relembra o brasileiro, que na última temporada teve a companhia de quatro brasileiros: Diego, Charles, Maicon Bolt e Danilo.   


“A convivência é top. Todo mundo se dá super bem, todo mundo sabe a hora de brincar, a hora de falar sério, todo mundo respeita o espaço do outro. Somos como uma família, e isso é bom pra todo o time”.   

CONVIVÊNCIA COM FELIPÃO  

Chico foi revelado pelo Atlético Paranaense em 2005. Jogou cinco temporadas no Furacão, somando 158 partidas e 11 gols anotados. Em 2011, foi contratado pelo Palmeiras por Luiz Felipe Scolari.     

“Ele mesmo me ligou e me chamou para ir ao Palmeiras. Fiquei muito feliz com o convite”, conta.    

Pelo Palmeiras, Chico ganhou a Copa do Brasil de 2011 e fez 55 partidas até se transferir para o Coritiba em 2012.   

“O Felipão tem uma carreira que dispensa comentários, né? Foi um prazer enorme trabalhar com ele. Ele tem aquele estilo paizão, estilo gaúcho. Meu pai também é gaúcho, então eu sei bem como é. Mas esse estilo é o que faz a diferença no dia a dia, ele sabe a hora de cobrar e de proteger os atletas”, afirma.       


Confira outros trechos da entrevista com Chico:    

Adaptação    

 “É um país muito bonito e, acima de tudo, muito seguro. Nesses quatros anos que eu estou aqui, eu nunca presenciei um assalto. Nunca ouvi falar de um tiroteio aqui. Para quem gosta de segurança, aqui é um país fantástico para morar”.     

Dificuldade com o idioma     

 “Quando eu cheguei aqui eu não falava inglês, nem turco. Quando eu ia ao restaurante eu apontava para as fotos das comidas, macarrão, fruta, essas coisas, e mostrava para o garçom o que eu queria. Aos poucos fui me adaptando com o idioma, e as coisas foram acontecendo naturalmente. Mas no início era na base das fotos mesmo (risos)”.

Reencontro marcante     

“Foi bacana foi quando nós jogamos contra o Gaziante, meu antigo clube. Eu fiz o gol da vitória do Antalya e a torcida do Gaziante gritou meu nome no fim do jogo. Foi muito gratificante esse reconhecimento, pelo tempo que passei lá”.     

As lesões   

“Tive duas lesões sérias aqui no Antalyaspor, uma em cada coxa, que me deixaram de fora por seis meses. Perdi quase a temporada toda. Foi uma fase muito difícil, mas faz parte do futebol”.      

Volta ao Brasil

“Renovei contrato agora e estou feliz aqui. Depois desses dois anos penso em voltar ao Brasil, jogar talvez por mais dois anos e encerrar a carreira com 35. Mas vamos ver, o futebol muda muito. Tenho que ver como vou estar psicologicamente e fisicamente também”.

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