Filho de brasileiro ídolo do Benfica tenta a sorte em Portugal

Caçula de Isaías, Lucas Cardoso defende o Atlético de Reguengos

Por Mateus Marinho

Imagine a situação: você é filho de um dos maiores jogadores da história de um gigante europeu, se torna profissional e tenta fazer a carreira em um país onde o seu pai fez história. Será que você resistira a pressão e às comparações? Pois bem, tudo isso Lucas Cardoso encara diariamente.

O jovem de 21 anos é filho de Isaías, o "Profeta", segundo maior artilheiro brasileiro da história do Benfica e que marcou época em Portugal na década de 1990.

“Em relação a isso eu sou muito tranquilo. Meu estilo de jogo é totalmente diferente do meu pai, eu sou um jogador com características mais técnicas, aquele jogador que gosta de achar os passes difíceis e deixar os companheiros numa posição confortável para fazer o gol. Ele era fazedor de gol, um artilheiro nato”, conta Lucas em entrevista exclusiva ao Blog De Primeira.



Lucas brilhou no Campeonato Carioca sub-20 em 2017, quando foi o vice-artilheiro da competição pela Cabofriense, mesmo clube que o seu pai defendeu antes de fazer história na Europa.

No entanto, mesmo após se destacar no estadual, o meia acabou ficando sem clube e quase desistiu de continuar a carreira.

“Ah, cara, no tempo que fiquei sem clube passaram muitas coisas na minha cabeça, foi difícil demais. Eu nunca quis realmente aceitar que eu teria que desistir e por isso hoje estou aqui. Se eu tivesse aceitado o fim, hoje estaria trabalhando em algum lugar como qualquer pessoa normal, mas decidi acreditar no meu sonho e nos planos de Deus”, conta.

Foi então que recentemente o brasileiro recebeu o convite para defender o pequeno Atlético de Reguengos, que disputa uma competição regional em Portugal.


“A vida em Portugal é muito tranquila, não tem aquela agitação do Brasil. O estilo de jogo é muito mais força física, mas eu consegui me adaptar muito rápido, isso ajudou”, explica ele.

Isaías, pai de Lucas, marcou 71 gols em 178 jogos com a camisa do Benfica. Ele defendeu as cores dos Encarnados de 1990 a 1995. Depois, o ex-atacante foi o primeiro brasileiro a atuar na era moderna da Premier League pelo Coventry City.

Lucas conta que uma das maiores emoções de sua vida foi entrar no mítico Estádio da Luz, casa do Benfica, palco em que Isaías fez história.

“Cara, quando entrei no Estádio da Luz com meu pai ele estava dando uma volta no estádio e a torcida toda se levantando e aplaudindo ele. Foi uma sensação incrível e única na minha vida”, relembra.


Lucas, aliás, teve a chance de passar um breve período na base do Benfica. No entanto, sofreu uma grave lesão e acabou dispensado pelos Encarnados. Foi então que voltou ao Brasil para defender a Cabofriense.

“No meu segundo treino eu tive a infelicidade de lesionar o joelho e fiquei só tratando sem poder treinar. Depois quando eu voltei eu estava acima do peso e até joguei 20 minutos num jogo amistoso, deu para ver que eu tinha qualidade, mas já não tinha mais tempo. A inscrição dos jogadores acabaria na mesma semana e eu precisaria pelo menos de um mês para entrar em forma. Como estava às vésperas do campeonato ele decidiram me liberar”, lamenta.

Agora, com o primeiro passo dado na Europa, Lucas projeta sonhos maiores e não pensa em uma volta ao Brasil.

“Cara, para atuar no Brasil só se for uma coisa muito boa e é mais para o final de carreira, né? Porque todos querem vir para a Europa e não vejo motivo de querer ir para o Brasil agora. É claro que um dia ainda sonho em jogar no Brasil profissionalmente, mas agora não é o momento, ainda tenho muito a conquistar”.

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