Lulinha lembra de "dura" na Coreia, "confusão" em Portugal e agora se aventura no Chipre

Ex-joia do Corinthians atualmente defende o Pafos

Por Mateus Marinho

Lulinha. Muito provavelmente, se você acompanha o futebol brasileiro de perto, deve se lembrar desse nome. Afinal, ele se tornou o maior artilheiro da história da base do Corinthians, com 297 gols, e quase sempre se destacou pelas seleções inferiores do Brasil. Mas, após não conseguir explodir pelo time paulista e rodar por diversos clubes, o meia-atacante agora vive uma nova aventura na carreira.

O Blog De Primeira encontrou o meia-atacante no Chipre, pequena ilha na Europa, a leste do Mar Mediterrâneo e próxima da África. Ele foi contratado recentemente pelo Pafos FC, que disputa a primeira divisão do país. 

“Aqui é um lugar muito bonito, uma ilha muito bonita. É uma cultura diferente, por isso temos que nos adaptar o mais rápido possível para poder jogar o melhor futebol. Mas passei por uma situação que nunca tinha passado. Aqui se dirige do lado direito do carro, e nós brasileiros estamos acostumados a dirigir do lado esquerdo. Às vezes me pego entrando do lado esquerdo do carro, puxando o cinto do lado esquerdo. Aqui é tudo ao contrário (risos)”, conta Lulinha, que ainda não estreou pelo novo clube.


Após se tornar uma espécie de "lenda" na base do Corinthians, ele despontou para os profissionais aos 17 anos. Com uma multa de 50 milhões de dólares, foi promovido ao time de cima cercado de expectativa ao lado de outros jovens, como Willian e Dentinho, por exemplo. Mas, enquanto os companheiros ganhavam espaço, Lulinha ficou para trás.

Em 2007, disputou o Pan-Americano do Rio de Janeiro com a seleção brasileira sub-17. De volta ao Corinthians, viu o clube ser rebaixado no Brasileiro, passou a ser pouco foi aproveitado, mas permaneceu por lá até 2009, quando chegou a disputar uma partida durante a campanha do título da Copa do Brasil.


“Sou muito grato a Deus por tudo que ele fez na minha vida. Não deu certo porque não era para ser mesmo. Não era o momento certo para subir (aos profissionais). O time depois foi rebaixado, tudo isso complica muito para um menino que está subindo da base”, lembra Lulinha, que não acredita que uma pressão exagerada tenha te atrapalhado após o sucesso na base.

“Não me atrapalhou em nada. Isso era mais coisa da imprensa, que exaltava isso. Nunca subiu à cabeça, não. Vivi 11 anos no Corinthians, fui muito feliz lá. Vivi tudo com muita intensidade. Aprendi muito, cresci muito, como jogador e como homem”.

AS HISTÓRIAS 

Depois de sair do Corinthians Lulinha passou por Estoril e Olhanense (Portugal), Bahia, Ceará, Criciúma, RB Brasil, Botafogo, Mogi Mirim, Pohang Steelers (Coreia do Sul) e Al Sharjah (Emirados Árabes). 

No Estoril, o meia-atacante conseguiu certo sucesso. Terminou a temporada 2009/2010 com o maior número de assistências na Segunda Liga, a segunda divisão de Portugal.  Por conta da diferença cultural, Lulinha conta que já passou por situações para lá de inusitadas nos países por onde jogou.


“O linguajar é complicado. Em Portugal, eu passei por uma situação engraçada no treino. O treinador sempre falava muito do malta, era “malta, malta, malta” direto. Eu não entendia nada. Perguntei a um colega “Quem é esse Malta aí? Tá tomando uma dura danada”. Todos riram de mim. Malta, na verdade, é quando alguém se refere ao time, ao grupo. 

Na Coreia, eu já apanhei na mão de estaca. Acabou o treino, e eu fui tomar banho. O treinador me chamou e me bateu na mão com uma estaca de madeira. Não entendi nada, né? Depois meu empresário me disse que quando acaba o treino tem que esperar todo mundo para sair junto. Nunca mais eu esqueci disso (risos)”.

COBIÇADO

Com o sucesso na base do Corinthians e da seleção, Lulinha chegou a ser alvo de diversos clubes europeus no início da carreira. Na época, Barcelona e Chelsea chegaram a ser especulados como interessados pelo jogador. O brasileiro, no entanto, negou que tenha recebido alguma proposta de um dos dois.

“Nunca chegou nada em minhas mãos. Muito se falava na imprensa, mas para mim mesmo, não chegou nada. Claro que todo jogador tem vontade de jogar nesses grandes clubes e comigo não era diferente. Mas não teve nada, não", afirma.


Hoje aos 28 anos de idade, Lulinha não se arrepende de nada do caminho seguido por ele durante a carreira. Aliás, não esconde a gratidão ao clube onde cresceu e despontou para o mundo do futebol.

“O destino está sempre nas mãos de Deus. Eu escolhi ficar no Corinthians na época por ser meu sonho de criança, eu fiquei 8 anos na base e não fazia sentido eu sair sem jogar no profissional. Acredito que as coisas aconteceram conforme a vontade de Deus”.

Confira outros trechos da entrevista com Lulinha:
Mágoa com o Corinthians?

“Jamais tive mágoa. Sou muito grato a Deus e à minha família, sou muito grato ao futebol por tudo que ele me deu, sou grato ao Corinthians por tudo. Sou um cara muito feliz. Enquanto eu tiver força eu vou jogar futebol, vou continuar jogando. Tenho só 28 anos, estou na flor de idade ainda. Creio que tem coisas boas para acontecer ainda”.

Elogios a Vinicius Júnior

“Na minha época o mercado não era tão aberto como é hoje em dia. O Vinicius Junior, por exemplo, foi vendido sem sequer jogar pelos profissionais do Flamengo. Ele é uma joia rara e acho que em pouco tempo ele vai dar muitas alegrias ao Real Madrid e à seleção brasileira”.


Carinho por Bahia e Ceará

“Tenho o maior carinho por alguns clubes que abriram as portas por mim. Bahia e Ceará eu tenho um carinho especial, por tudo que eu fiz quando passei por lá e pelos torcedores. Tenho um carinho enorme por essas torcidas, que sempre me trataram tão bem”.

Volta ao Brasil?

“Penso sim em voltar ao Brasil. Não penso em encerrar a carreira agora, ainda está longe, tenho um longo caminho pela frente. Mas penso, sim, em encerrar a carreira no Brasil.

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