Susto na Arábia Saudita, tensão na Indonésia e "caneta" em R10: as histórias de Renan Silva

Meia revelado pelo Flamengo defende o Persija Jakarta

Por Mateus Marinho

Renan Silva tem 29 anos, mas possui uma bagagem que poucos jogadores brasileiros podem se orgulhar de ter. Afinal, o jogador já atuou em 8 países no exterior durante a carreira - sete deles localizados na Ásia. Atualmente, ele defende o Persija Jakarta, um dos mais tradicionais clubes da Indonésia.

O começo de tudo foi na base do Flamengo, onde esteve por 10 anos. Renan Silva foi formado na mesma geração que revelou diversos nomes, como Renato Augusto, Kayke e Erick Flores, por exemplo. E, em entrevista exclusiva ao Blog De Primeira, o meia revelou que não guarda nenhuma frustração por não ter sido aproveitado pelo Rubro-Negro.

“Mágoa nenhuma. Sou muito grato por tudo que vivi ali dentro. Cheguei no mirim, uma criança, e sai no profissional, um homem. Cheguei a ficar no banco em um jogo no profissional no Campeonato Carioca, mas não entrei na partida. Acho que faltou aquela oportunidade de poder jogar e mostrar meu valor, mas Deus sabe de todas as coisas e tem sempre o melhor para nós, pois seus planos são maiores e melhores que os nossos. Só precisamos confiar", disse.


Depois de sair do Flamengo em 2009, Renan rodou por Olaria-RJ, Boavista-RJ, Macaé-RJ, Nova Iguaçu-RJ, além de Goiás, Vitória e Bahia. Em 2011, ficou conhecido ao se destacar com a camisa do Olaria no Campeonato Carioca e ganhar o apelido de R10 da Bariri após dar um drible desconcertante num dos maiores jogadores da história.

“Esse apelido pegou em 2011 quando fizemos um Campeonato Carioca histórico com o Olaria. E, graças a Deus, pude me destacar, conquistando um título (Taça Washington Rodrigues) e chegando na semifinal do Carioca contra o Vasco. Fui eleito um dos melhores meias do campeonato. Jogamos contra o Flamengo e rolou até caneta no Ronaldinho Gaúcho. Até hoje falam desse lance (risos)”, recorda.

Depois disso, Renan foi tentar a sorte no exterior. Rodou por diversos países: Romênia, Tailândia, Irã, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Catar, Kuwait e, claro, Indonésia, onde atua hoje em dia. E isso fez com que o brasileiro acumulasse algumas histórias bem curiosas. Uma delas foi quando ele quase foi chicoteado em um restaurante na Arábia Saudita. Tudo porque ele foi almoçar no período do Ramadã (o período que os islâmicos ficam em jejum).


“Cheguei na Arábia Saudita na época do Ramadã e um dia fui ao shopping para comer e vi muitas lojas fechadas. Achei um restaurante aberto, entrei e pedi o meu almoço. Quando chegou o almoço na mesa tocou a reza deles. Aí chegaram os Mutalwas (a polícia religiosa do país) falando para fechar tudo e dando chicotada nas paredes e grades. Por pouco não levo um chicotada também. Tive que esperar acabar a reza para entrar no restaurante novamente e comer minha comida, que já estava gelada”, conta Renan, que, na Arábia Saudita, vestiu a camisa do Al-Nahda.

Nesta temporada, Renan Silva foi contratado pelo Persika Jakarta, onde tem vivido uma nova experiência. Por lá, o brasileiro ganhou outro apelido que mantém com muito carinho, além, é claro, de muito futebol.

“Aqui todos me chamam de Maestro. As pessoas me enviam vídeos e fotos no Instagram fazendo a mesma comemoração de quando fiz o gol e comemorei como maestro. Aí virou febre no país”.

Uma situação que rodou o mundo recentemente foi quando o Persija Jakarta chegou ao estádio em um veículo blindado da polícia, o popular “caveirão”. O jogo foi realizado em setembro contra o rival Persib Bandung, no Gelora Bandung Lautan Api Stadium, casa do adversário. 


O confronto é considerado a maior rivalidade da Indonésia e costuma ser violento. No último duelo entre as equipes, inclusive, um torcedor do Persija foi espancado até a morte por fanáticos do Persib Bandung.

“O jogo foi na casa do rival aqui na Indonésia. E não podíamos ir de ônibus para a cidade deles, que fica a duas horas da capital, onde moramos. Fomos de avião, porque, se fôssemos de ônibus, a torcida rival quebraria tudo no caminho. Eles aguardam na estrada e armam uma emboscada. Fomos pegos no aeroporto pela polícia com um esquema de guerra para irmos para o hotel para concentrar. Depois, fomos para o estádio de caveirão. Nunca tinha vivenciado isso que vivencie aqui”, explica Renan.

A equipe de Renan acabou derrotada por 3 a 2, mas, ao menos, protagonizou uma das história mais marcantes para o brasileiro.

“O estádio estava com mais de 60 mil pessoas, fora os que ficaram do lado de fora do estádio tentando entrar e já tinha esgotado tudo. Já joguei clássicos, mas nunca um igual a esse. Desde a chegada na cidade fomos muito hostilizados pela torcida rival. O país parou para assistir esse jogo, eles são fanáticos por futebol’.


Renan tem contrato com o Persija Jakarta até o fim do ano e revelou que ainda não definiu o futuro. Não descartou, inclusive, retornar ao futebol brasileiro.

“Graças a Deus tenho feito um bom trabalho e sendo reconhecido. Deixo nas mãos de Deus o meu futuro. Quero terminar bem a temporada. Sondagens já têm acontecido, tanto para renovar, como de outros clubes também, mas quero aguardar para decidir com calma. Graças a Deus tenho uma família que me ajuda muito e me apoia nas minhas decisões. Voltar ao Brasil sempre pensamos, sendo um clube bacana com um projeto legal por que não? Tenho 29 anos e muita lenha pra queimar", encerra.

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