Brasileiro se aventura no futebol da Macedônia: "Cobrança forte"


Atacante Felipe Paulista defende o Makedonija


Por Mateus Marinho

O que você sabe sobre a Macedônia? Então, lá vai um breve resumo: a República da Macedônia fica localizada na Península Balcânica, no sudeste da Europa. Declarou independência da Iugoslávia em 1991. O futebol é bem popular por lá, mas a seleção nacional não obtém resultados muito significativos. O nome mais conhecido do país se chama Goran Pandev, maior artilheiro da seleção e campeão da Champions League pela Internazionale em 2010.

Depois dessa breve aula de história, deu para conhecer um pouco mais sobre a Macedônia, correto? E por que estamos falando sobre esse país? Porque um brasileiro tem se aventurado por lá: Felipe Paulista, de 24 anos. Ele chegou há pouco tempo para defender o Makedonija.

Ele conta, em entrevista exclusiva ao Blog De Primeira, que a busca por novos desafios foi o que o motivou a desbravar no país.


“O que me motivou foi a questão de mais um novo desafio para mim. As condições para vir para cá também foram boas, e a chance de ir para um lugar melhor também, de maior visibilidade”, afirma.

País novo, cultura nova. O brasileiro conta que a adaptação está sendo tranquila, embora ele tenha passado por uma situação bem curiosa recentemente.

“Eu particularmente gostei do país, gostei da cidade que eu moro, na capital Escópia. Praticamente todas as pessoas falam inglês aqui, eu não falo fluente, mas também não faço feio (risos). Uma das primeiras vezes que eu fui no supermercado aqui, comprei minhas coisas e depois a mulher me deu o troco da compra e disse pra mim: 'Fala'. Eu respondi: 'Falar o quê? Tu fala português?' Depois fui entender que “fala” é obrigado em macedônio”, conta ele, caindo na gargalhada.

Em relação ao futebol, assim como em todo o leste europeu, o futebol na Macedônia é bem físico. E Paulista conta que esse estilo de jogo, aliado à cobrança por parte dos dirigentes, podem pesar para qualquer jogador estrangeiro.

“É um futebol mais forte, na questão da parte física. O pessoal aqui gosta de correr, é diferente. Jogam um futebol mais corrido, não pensado. A cobrança dos diretores é forte também, quando tem resultado negativo sempre compram os estrangeiros e colocam a culpa em nós. É complicado, mas é futebol”.

Quanto ao campeonato, o Makedonija tem brigado na parte de baixo da tabela. Mas, por lá, a primeira divisão conta com apenas 10 times. Ou seja a mudança de posições é frequente na competição. Por conta disso, Paulista sonha com uma vaga na Liga Europa para a próxima temporada.


“Nosso time é um time muito bom, mas demorou pra encaixar e perdemos alguns jogos por vacilo mesmo. Perdemos quatro jogos por fazer pênalti, isso é ruim. Acredito que briga pelo título fica meio difícil, mas ainda podemos nos classificar para a Europa League do ano que vem”, garante.

Aliás, ter um campeonato nacional com apenas 10 clubes é uma novidade para os brasileiros. E Felipe Paulista conta que, por ter poucos times, a competição é mais acirrada.

“É diferente mesmo, mas tem muita disputa também. Estamos em dois campeonatos ainda, a Copa da Macedônia e na liga. O bom é ganhar no começo e ir disparando, igual o Vardar e o Shkendija fizeram, que são os melhores times daqui. Se você deixar distanciar, é difícil alcançar”, explica.

Paulista conta que possui um ano e meio de contrato e que já tem recebido algumas propostas para voltar ao Brasil.

“Tenho um ano e meio de contrato aqui, recebi algumas propostas para voltar ao Brasil. Mas aqui tive um momento ruim, machuquei meu adutor e voltei há 3 semanas. Meu pensamento é continuar trabalhando, voltar a jogar e conseguir algo melhor. Sempre temos que pensar alto”, encerra.

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