Ex-Flu lembra de duelo épico com Rooney e brinca sobre Ibra: "Mais marra pessoalmente"

Atacante Stéfano Pinho defende o Orlando City, dos EUA

Por Mateus Marinho

A temporada 2018 não saiu como o Stefano Pinho esperava no seu ano de estreia pelo Orlando City. Mas, sem dúvidas, reservou momentos únicos para o atacante revelado pelo Fluminense. Afinal, quantos jogadores brasileiro podem se orgulhar de ter enfrentado Wayne Rooney e Zlatan Ibrahimović numa mesma temporada?

Pois bem, o jogador do Orlando City encarou os dois históricos atacantes na Major League Soccer, dos EUA, deste ano. E em entrevista exclusiva ao Blog De Primeira, Stéfano recordou o encontro com Ibra, astro do Los Angeles Galaxy, no último dia 29 de julho - na ocasião, o sueco anotou um hat-trick na vitória por 4 a 3 sobre o Orlando.

"Ver ele jogando pessoalmente foi uma satisfação enorme. Eu só via pela televisão. Jogar contra ele foi muito bacana. Ele é mais marra pessoalmente do que pela televisão (risos). Nos dois, é uma dúvida que fica (risos). Mas ele é muita marra mesmo. Mas ele é marra e faz. Contra a gente ele fez três gols. Ficava parado na dele esperando a bola chegar. E ele resolveu. Você não pode nem falar nada. Está ali e resolve. Depois do jogo, ele deu uma declaração para a torcida, soltou as pérolas dele. Aí a torcida foi à loucura. É um jogador de muita qualidade, de nível mundial. Tem que tirar o chapéu para ele", conta o brasileiro.


Nesta temporada, Stéfano ainda assistiu, de dentro do campo, um dos capítulos mais épicos da história recente da MLS e que envolve Wayne Rooney. Aos 50 minutos do segundo tempo, o DC United (time do atacante inglês) empatava em 2 a 2 com o Orlando City. Após uma cobrança de escanteio para a área do Orlando, o goleiro do DC subiu até a área adversária para tentar o cabeceio e deixou o seu gol aberto.

Mas a defesa cortou, e o rebote ficou com o Orlando City, que arrancou com espaço para definir o jogo no contra-ataque. Acompanhando o atacante adversário (enquanto Stéfano avançava sozinho pela direita), Rooney voltou até o campo de defesa para dar um carrinho preciso e interromper o ataque de Will Johnson, que daria a vitória ao Orlando. Na sequência da jogada, Rooney carregou a bola e deu um lançamento espetacular (foto abaixo) para o argentino Luciano Acosta sair na cara do gol e dar a vitória ao DC United por 3 a 2.


"Foi uma partida fora do comum. Era um lance que a gente poderia ter ganhado a partida. O goleiro deles foi para a nossa área cabecear e conseguimos o contra-ataque. Eu estava correndo sozinho, mas o garoto foi tentar driblar e acabou perdendo a bola. O Rooney acertou aquele passe para o gol da virada deles. Ficou uma frustração depois. Estávamos com o jogo na mão, mas não tirando o mérito deles. O Rooney é um jogador histórico no futebol, que ganhou muita coisa. Tem que respeitar a história dele. Mas eu saí muito frustrado aquele dia. É difícil esquecer, pelo menos por enquanto", recorda Stéfano.

BALANÇO DE 2018

Em 2018, o Orlando City acabou fazendo uma temporada ruim na MLS. O ex-clube de Kaká terminou a temporada regular na lanterna da Conferência Leste com apenas 28 pontos.

"Acho que 2018 foi uma temporada muito ruim para a gente. Montamos um time forte, mas, por algum motivo, não encaixamos. Nas primeiras rodadas, nós começamos bem. No meio do caminho, nós nos perdemos um pouco. Não sei qual é o motivo. Mas foi um ano de aprendizado, de buscar melhorias. Creio que no próximo ano vai ser muito melhor. É trabalhar e pensar no futuro", disse Stéfano.


O atacante brasileiro chegou ao Orlando para essa temporada após ter defendido outros clubes norte-americanos: o FL Strikers, o Minnesota United e o Miami FC. Com o fim da temporada para o time da Flórida, Stéfano ainda não definiu qual será o seu futuro para 2019.

"Eu tenho mais um ano de contrato. É tempo de começar a aparecer coisas. Vamos sentar para definir a melhor situação. Depois, a gente tem que tomar uma decisão concreta. Tenho vontade de jogar em vários países, mas tenho que pensar na minha família. Tenho esposa e um filho pequeno. O que for melhor para eles eu vou fazer. Agora eu não penso só em mim, tenho que definir junto isso", garantiu o brasileiro.

VOLTA AO BRASIL?

Stefano, inclusive, não descartou retornar ao Brasil e não escondeu a vontade de voltar a vestir a camisa do Fluminense, clube onde foi formado, mas não teve chance de jogar no profissional.


"Passei 9 anos no Fluminense. É o clube que me acolheu. Fiz minha base toda lá. Estive em quatro jogos no profissional, mas não consegui atuar. Ficou um pouco de frustração por não ter jogado. É um clube grande e todo mundo tem o sonho de jogar no Flu. Mas, enfim, qualquer chance que eu tiver para voltar ao Brasil, eu vou pensar e ver o que vai ser melhor para a minha família. No Brasil é um campeonato que não há igual. A maioria quer jogar um Brasileirão e comigo isso não é diferente", diz Stefano, que ainda completa.

"Quero encerrar a carreira e poder dizer que eu fiz tudo o que eu podia fazer. Quando terminar a carreira, estar com a cabeça erguida. Esse é o meu grande sonho".

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