Frio de -15º, títulos na Bulgária e sondagem do São Paulo: os passos de Renan na Europa

Goleiro revelado no Botafogo é um dos destaques do Ludogorets

Por Mateus Marinho

Aos 29 anos, Renan vive o grande momento da carreira. O goleiro revelado pelo Botafogo atualmente defende o Ludogorets, principal clube da Bulgária hoje e onde já venceu duas vezes o campeonato nacional.   

Titular na equipe europeia, Renan conversou com o Blog De Primeira e contou como tem sido a oportunidade de jogar contra grandes equipes do Velho Continente. 

“Cheguei no ano passado já sendo campeão, o que é muito bom. Tenho dois títulos búlgaros. Temos jogado a Liga Europa contra grandes clubes, como Milan, Bayer Leverkusen... Tem sido fantástico. Esses dois primeiros anos de Europa têm sido muito bons”, disse o goleiro. 

Nesta temporada, Renan tem sido um dos principais destaques do Ludogorets, que tornou-se uma potência no país após ganhar os últimos sete campeonatos nacionais. Renan conta que não teve tanta dificuldade na adaptação, por mais que o idioma ainda seja um empecilho. 


“O idioma búlgaro é muito difícil, mas aos poucos vou pegando o jeito. Até porque dentro de campo temos que nos virar. São muitos brasileiros no time, isso também ajuda. Estou muito bem adaptado, é um país muito bom de se viver, muito seguro, nada se compara com o que temos no Brasil. Tirando o frio, que às vezes chega a -15º, o resto dá para se virar”, garante.

Renan é um dos nove brasileiros do clube, que chegou a ser comandado pelo técnico Paulo Autuori nesta temporada. O goleiro, inclusive, conseguiu o passaporte búlgaro, o que o torna um cidadão europeu e com uma maior possibilidade de jogar em outros países. 

“Tenho o passaporte europeu há seis meses. Isso facilita muito para uma possível transferência para outro clube da Europa no futuro, porque eu não entro como estrangeiro, entro como europeu. É parte do reconhecimento do meu trabalho, fico muito feliz, muito satisfeito. Pude mostrar meu potencial e eles tiveram convicção para me dar o passaporte europeu”, explica. 

Recentemente, Renan teve a oportunidade de acompanhar a seleção brasileira no país, mas não de futebol. Fã de vôlei, ele assistiu de perto o Brasil neste ano durante o Campeonato Mundial.


“Eu jogava vôlei, fiz até uns testes antigamente. Estava em dúvida sobre o que eu queria, mas vi que jogar profissionalmente vôlei seria mais difícil para mim. Por isso escolhi o futebol. Eu gosto muito de assistir vôlei também, esse ano a Seleção esteve aqui na Bulgária pelo Campeonato Mundial e eu pude ir lá prestigiar. Se eu fosse jogador de vôlei eu seria mais um ponta. Mas hoje eu estou no futebol e foi a escolha mais acertada da minha vida”, conta.

O INÍCIO 

Criado na base do Botafogo, Renan subiu com a responsabilidade de representar grandes nomes que já passaram pela meta do Glorioso. Foram 130 jogos no total pelo clube carioca, em uma trajetória que teve início contra o Stabaek, da Noruega, quando teve que substituir o folclórico Castillo na Copa Peregrino.   

“Era tudo muito novo, tinha acabado de subir para o profissional. Foi uma experiência muito boa, pude sentir aquela energia, aquela pressão, aquela adrenalina, foi tudo muito bom. Ali começou minha história no Botafogo”. 

Depois de encerrar seu ciclo pelo Botafogo, Renan seguiu para o Avaí. Pelo time catarinense, o goleiro jogou a Série B de 2016 e ajudou o Leão a subir para a elite do futebol brasileiro. Por lá, ganhou o apelido de "Muralha Avaiana" e recebeu o carinho da torcida. 


“O ano de 2016 foi sensacional. Tive uma identificação muito boa com o clube, com a torcida. Conseguimos o acesso para a Série A, e a torcida me abraçou de uma forma que eu não esperava. Foi tudo muito rápido. Até hoje a torcida me manda mensagem, me pede para voltar. Fico muito feliz com esse carinho, é muito gratificante”, afirma.

SONDAGEM DO SÃO PAULO 

Renan tem contrato com o Ludogorets até o fim de 2019 e não fecha as portas para novas aventuras. O goleiro conta, inclusive, que recebeu uma sondagem do São Paulo recentemente, mas as negociações não avançaram, e o clube paulista fechou com Tiago Volpi, que pertencia ao Querétaro. 


“Chegou até aqui na Bulgária há cerca de um mês que eu estava na lista do São Paulo, mas era só sondagem, nada concreto. Tenho contrato até o final de 2019, pretendo cumprir, mas se aparecer uma proposta, tudo é possível e negociável. Penso em jogar em um clube grande da Europa, claro, mas penso também em voltar para o Brasil. Deixo nas mãos de Deus e vamos ver o que tem para frente”, encerra.

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