Vida no Japão, falta de chances em 2018 e futuro incerto: um papo com Felipe Silva

Meia tem contrato com o Sanfrecce Hiroshima até o fim de 2019


O ano de 2018 não saiu como Felipe Silva esperava. Na sua segunda temporada com a camisa do Sanfrecce Hiroshima, do Japão, o meia de 28 anos pouco jogou. Foram apenas 10 jogos disputados e um gol marcado pelo clube, que terminou a J-League como vice-campeão - atrás apenas do Kawasaki Frontale. 

Em entrevista exclusiva ao Blog De Primeira, o brasileiro não escondeu a frustração pela falta de oportunidades, apesar da adaptação ao país e ao futebol local. 

"Nós tivemos um troca de técnico, chegou uma comissão nova para esse ano, e eu encontrei muita dificuldade. Não joguei muito, não tive sequência, fiz poucos jogos. O treinador tinha um esquema que era mais defensivo, só apostava nesse forma de jogar, tinha os jogadores de confiança dele. Acabou que eu não tive muita oportunidade por opção dele. Procurei trabalhar, tem que entender que acontece. Mas, em campo, foi um ano muito difícil para mim. Sinto falta de jogar, de querer ajudar da melhor forma, mas acabar não tendo oportunidade é difícil. Foi um ano difícil, mas de muito aprendizado", conta Felipe. 

Vinculado ao Sanfrecce Hiroshima até o fim de 2019, Felipe Silva entrou de férias nesta semana, retornou ao Brasil e não sabe qual será o seu futuro para a próxima temporada. 


"Eu tenho contrato até o final de 2019. Então, por toda a dificuldade que eu tive nesse ano, provavelmente não (permanece no Sanfrecce Hiroshima). O treinador vai ser mantido para o ano que vem. Eu não sei o que vai acontecer, mas a princípio eu volto normal. Volto para o Brasil e retorno normal. Aí depois eu vejo o que vai acontecer, vejo se vou sair ou não, se vou continuar aqui ou não", afirma. 

Felipe Silva chegou ao Japão em 2017 após se destacar com a camisa do Ceará no ano anterior. Na primeira temporada pelo time japonês, marcou cinco gols em 33 jogos. A perda de espaço aconteceu com a chegada de um novo técnico: Hiroshi Jofuku. 

"O pior momento nesse ano foi que eu quase não tive chance de jogar. Fiquei o ano todo fora. Foi o ano que eu fiz menos jogos na carreira. Foi muito complicado, mas eu fiz o meu melhor, procurei respeitar, ser profissional", conta o brasileiro, que, no entanto, tira lições positivas da primeira experiência internacional na carreira.

"Eu tiro proveito de tudo. Aqui é fantástico, você aprende muita coisa. Dentro de campo, o japonês é muito disciplinado, independente do momento. Ele é comprometido, vai fazer o mesmo de janeiro a dezembro. É de admirar muito". 


VIDA NO JAPÃO

Felipe Silva joga pelo clube que carrega o nome da cidade, marcada inevitavelmente por ter sido atingida por uma bomba nuclear, em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial - cerca de de 140 mil pessoas foram mortas.

Totalmente devastada após os conflitos, a cidade de Hiroshima passou por uma reconstrução ao longo dos últimos 73 anos, como relata o meia brasileiro.

"Você vivendo aqui não parece que teve essa tragédia, não dá para notar. A cidade se reestruturou de uma forma incrível, você não vê as pessoas se remoendo por isso. Mas eles têm muito respeito pelo que aconteceu. Aqui tem o Museu da Paz, onde você vê fotos, vídeos, coisas que restaram da cidade. Você sente muito a história, é bem emocionante". 


Felipe ainda contou uma situação curiosa que viveu por lá.

- Eu estava em uma cafeteria, tinha acabado de sair de uma loja. Fui comprar café, e eu deixei a minha compra no balcão. Peguei o café e andei por uns 500 metros em direção ao centro. Eu nem me toquei que tinha esquecido a bolsa. Mas aí saíram correndo para me devolver a bolsa. Eu sempre escutei isso sobre o Japão, mas pude vivenciar e confirmar isso - lembra ele.

VOLTA AO BRASIL?

Com o futuro incerto no Japão, Felipe Silva não descarta, inclusive, retornar ao futebol brasileiro. O meia revelou que frequentemente é alvo de sondagens, negou a preferência por algum clube, mas não escondeu o carinho pelo Ceará, sua última equipe antes de se aventurar no Japão.


"Desde a minha vinda para o Japão, sempre pinta alguma coisa do Brasil. Mas a gente tem que ver o que é melhor. Se tiver alguma proposta do Brasil e for boa, eu não vejo problema de voltar. Estamos dispostos a escutar todos, ver o que é melhor. De preferência de clube, eu não tenho. Somos profissionais, temos que analisar tudo. Se for bom, a gente vai. Mas, como todos sabem, eu tenho um carinho grande pelo Ceará. Foi o meu último clube no Brasil, fui muito feliz lá. Sempre estou aqui torcendo. Mas preferência eu não tenho", encerra.

Comentários

  1. Gostei muito da entrevista de Felipe Silva. Que venha ótimas oportunidades para esse grande profissional, dedicado e experiente!!!��������

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  2. volta felipe venha ser feliz aqui no vozao

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