Brasileiro faz sucesso em Angola, vira goleador e sonha quebrar jejum do clube

Tiago Azulão é ídolo do Petro de Luanda, time mais tradicional do país


Por Lucas D'Assumpção   
 

Sempre quando falamos com atletas do mundo do futebol, ouvimos o discurso “quero fazer história nesse clube”. E se for verdade, mesmo que um jogador tenha que cruzar o oceano para se aventurar num mercado para lá de alternativo? Pois bem, isso acontece com o Tiago Azulão, de 30 anos.   

O atacante brasileiro atualmente é ídolo de um dos times mais tradicionais da Angola, o Petro de Luanda.  

“Em 2016, eu estava na Caldense-MG, fui para o Mogi Mirim na Série C e recebi o convite para vir para cá. O preparador de goleiros daqui é brasileiro, trabalhamos juntos na Caldense, e ele colocou meu nome aqui. Aceitei o convite para um ano e meio de contrato e vim. Uma oportunidade diferente de jogar na África, e eu pude aceitar", disse ele em entrevista exclusiva ao Blog De Primeira.    


Tiago não é centroavante de ofício, mas tem desempenhado a função desde que chegou ao país africano. Seus números, aliás, chamam a atenção: são 56 gols em 87 jogos pelo Petro de Luanda desde 2016. Ele, aliás, foi artilheiro da Primeira Divisão nas temporadas 2017 e 2018 - em ambas, o Petro de Luanda ficou com o vice-campeonato.     

"No Brasil, eu jogava de ala e imaginei que fosse jogar assim aqui também. Mas o treinador me botou de centroavante, como eu já havia jogado em alguns clubes, e eu acabei me encaixando rápido. Os gols saíram e acabei virando referência no time, no clube e no país. Fui artilheiro nas últimas temporadas. Tenho até música, placa... Quando eu for embora, vou levar comigo esse carinho que eles têm por mim e pelo meu futebol", conta.   

Nas ligas africanas, principalmente na Angola, a média de público nos estádios é alta. O povo do grande continente é apaixonado e, segundo Tiago, serve de exemplo para torcedores em todos os cantos do mundo.    


“A paixão aqui é como em todos os lugares. Os clubes têm muita torcida, mas aqui é um pouco diferente, é com mais respeito do que em outros lugares. Existe pressão, mas não há loucura, xingamentos como em outros lugares. Tem assédio, mas com respeito e nesse sentido é diferente. Nos clássicos, as torcidas ficam até juntas na arquibancada”, relata.   

A Federação Angolana de Futebol (FAF) criou liga profissional de clubes no país no ano de 2016. Quinze dos principais clubes de futebol de Angola organizaram a criação da Girabola, como a Primeira Divisão é chamada - atualmente, 16 equipes disputam a competição.


Sobre o país, Tiago admite que tinha uma outra visão antes da chegada ao continente africano.

"Eu tinha uma imagem negativa antes de vir. Mas, quando você vem, vê que é um país muito mais calmo para viver. É mais tranquilo do que no Brasil. Os estrangeiros têm uma condição boa, alimentação igual no Brasil, você encontra praticamente tudo o que você tem no Brasil. Minha filha estuda numa escola boa. Em questão de adaptação, eu consegui muito rápido. Digo que eu gosto de viver aqui”, destacou.

O atacante brasileiro, aliás, contou também como experimentou a fama no país.

“No início, eu não era reconhecido, principalmente no meu primeiro ano. Quando estava acabando a minha primeira temporada, eu estava chegando no meu prédio e estava passando um cara bêbado. Ele veio na minha direção falando, falando... Me cumprimentou e me reconheceu, falou o meu nome, disse que era meu fã, não sei o que. Aquilo me marcou, porque eu já pensei: 'Se um bêbado me reconheceu, agora eu sou conhecido”, recorda, aos risos.


Para o futuro, Tiago Azulão garante que muito provavelmente não retornará ao Brasil. Revelou, inclusive, que recusou uma oferta da Série B na temporada passada e projeta encerrar a carreira atuando no futebol do exterior.    

"Não penso em voltar para o Brasil, não está nos planos. Tive uma proposta da Série B, mas eu falei que não gostaria de voltar. Se surgir alguma coisa de outro país, eu posso pensar. Mas para o Brasil provavelmente eu não volto, possivelmente encerro a minha carreira por aqui ou em outro país”, revelou.    

Apesar de não querer voltar ao Brasil, Tiago Azulão projeta se aventurar em algum outro país no exterior, mas, antes disso, tem um sonho: ser campeão em Angola.


Nos últimos três anos, o Petro de Luanda ficou com o vice-campeonato, sempre atrás do rival 1° de Agosto. Maior vencedor do país, o clube, inclusive, não vence a competição desde 2009.  A equipe atualmente está na quarta colocação do Girabola, que mais uma vez é liderada pelo 1° de Agosto. Na próxima rodada, o Petro encara o 13° colocado Libolo, no dia 25 de janeiro.    

“Eu quero deixar a minha marca na história. É um clube grande, e eu quero ser campeão. Já faz 10 anos que o clube não ganha, são três vices seguidos. Quero que dê certo. Faltam quatro meses de competição e é um objetivo que eu tenho", encerra.


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