Brasileiro se aventura no futebol de Luxemburgo: "Estão investindo bastante"


Lucas Carnevalli defende o Titus Pétange



O que você sabe sobre Luxemburgo? Mas é claro que não estamos falando sobre o "Pofexô" (Vanderlei Luxemburgo) e, sim, sobre o pequeno e desenvolvido país europeu que conta com mais de meio milhão de pessoas.

Por lá, o futebol ainda engatinha, mas tem recebido maiores investimentos e começa a ser o destino de jogadores brasileiros: é o caso do zagueiro Lucas Carnevalli, que defende o Titus Pétange. Em entrevista ao De Primeira, ele contou como surgiu o convite para atuar em Luxemburgo.

"Eu estava de férias no Brasil, e o meu empresário me ligou passando o interesse do clube. Achei que seria uma coisa muito positiva para minha carreira, por se tratar de uma primeira divisão. Eu tinha algumas propostas para continuar na Espanha e algumas para voltar à Itália também, mas optei por vir para Luxemburgo. Acredito que fui muito feliz na escolha", conta.


O Titus Pétange é um dos 14 clubes que participam da BGL Ligue. A equipe chegou a ser comandada na atual temporada pelo técnico brasileiro Baltemar Brito, que trabalhou como auxiliar de José Mourinho no Porto e no Chelsea - o treinador acabou deixando o clube no fim de 2018, sendo substituído pelo português Carlos Fangueiro.

Além de Carnevalli, o Titus Pétange contava com o meia Diego Esch, que já passou pela base do Palmeiras, mas que deixou a equipe nesta semana. O clube é o atual sétimo colocado na BGL Ligue, a primeira divisão do país. O campeonato é liderado pelo Jeunesse Esch, time mais popular e vitorioso de Luxemburgo - são 28 títulos nacionais.

- O futebol Luxemburguês tem crescido muito. Estão investindo bastante e procurando aumentar o nível cada dia mais. Com isso, a quantidade de estrangeiros tem aumentado também. A estrutura daqui me surpreendeu positivamente. Temos tudo o que precisamos, não deixam faltar nada. As pessoas aqui também são muito sérias, que é uma das características que, infelizmente, falta no futebol - destaca Lucas Carnevalli.

FEITOS NO FUTEBOL 

No futebol, Luxemburgo possui resultados inexpressivos, tanto com os clubes, quanto com a seleção nacional. No Ranking da Fifa, aparece na octagésima sétima posição. Apesar de ser o único país a participar de todas as Eliminatórias para a Copa do Mundo, nunca disputou um Mundial. Entre os clubes, o principal feito foi do Dudelange, atual tetracampeão nacional.

Nesta temporada 2018/2019, a equipe se tornou a primeira na história do país a chegar na fase de grupos de uma competição europeia. O clube avançou nos playoffs e disputa a Europa League na mesma chave de Milan, Olympiacos e Betis. Ficou na lanterna, mas conseguiu arrancar um ponto do Betis.


O PAÍS 

Se no futebol Luxemburgo ainda busca melhores resultados, fora dos gramados é um exemplo a ser seguido. O país, que faz fronteira com França, Alemanha e Bélgica, é dono de um dos maiores PIBs do mundo. Além disso, possui uma alta qualidade de vida - fator que chama a atenção de estrangeiros, como, por exemplo, portugueses, que acabam rumando ao país em busca de melhores oportunidades.

- É um país com a qualidade de vida altíssima, muito organizado e as pessoas são bastante educadas. Estou gostando muito de morar aqui. O que mais me impressionou foi a quantidade de portugueses no país (cerca de 16% da população). Além disso, também é um país onde quase todo mundo sabe falar quatro idiomas (francês, luxemburguês, inglês e alemão) - afirma Lucas Carnevalli.

ANDARILHO 

A proximidade com outros países permite, inclusive, que Lucas Carnevalli conheça outros lugares na Europa. O brasileiro, que já atuou na Espanha e na Itália, já conheceu, por exemplo, países como França, Irlanda, Alemanha, Irlanda do Norte, Hungria, Eslováquia, Bélgica,  Holanda, Inglaterra, Portugal e Suíça.


- Viajar sempre foi uma paixão. Eu realmente gosto muito. E aqui é bem mais fácil, por ser tudo relativamente perto. Sempre que tenho uma folga de um ou dois dias, eu procuro conhecer novos lugares, novas culturas. Poder viajar para outros países com tanta facilidade é uma experiência única e que dinheiro nenhum paga - garante.

Apesar dos muitos países percorridos na Europa, foi em Luxemburgo onde Lucas passou um "aperto" daqueles.

- No meu apartamento, quando você sai é só bater a porta e já tranca automaticamente. Não precisa fechar com a chave. Logo na primeira semana morando aqui, eu ainda não estava acostumado com isso. Tive que sair e fechei a porta com a chave lá dentro do apartamento. Aí começou a longa história para tentar entrar em casa, principalmente porque aqui não tem chaveiro. Quando é assim, você tem que chamar o bombeiro para ele abrir, o que custa mais ou menos 200 euros. A sorte foi que, como estava no verão, deixei a janela aberta. Como eu moro no primeiro andar, um funcionário do clube veio com uma escada, aí eu consegui pular a janela e abrir a porta. Mas depois dessa, nunca mais saio sem chave - recorda, aos risos.


 Aos 23 anos, Lucas se diz feliz em Luxemburgo e, como um bom e experiente "turista" nas horas vagas, ainda deu dicas para quem quiser visitar o país.

- É um lugar que eu não conhecia e que me surpreendeu muito, positivamente. Quem tiver a oportunidade de vir visitar ou trabalhar aqui não pode deixar passar. Venha com a certeza de que vão te respeitar e honrar com os compromissos feitos. Sobretudo, em casos de trabalho. Além disso, é um país muito bonito e desenvolvido. Quem estiver a passeio pela Europa, vale a pena tirar alguns dias e passar por Luxemburgo - encerrou.

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