Jonathan, o jogador brasileiro que desbrava Ruanda: "Gostam muito de mim"

Atacante defende o Rayon Sports



Por Mateus Marinho

Não, você não leu errado no título. Há um brasileiro jogando futebol em Ruanda. No país africano atua o atacante Jonathan da Silva, que defende o Rayon Sports, time da primeira divisão da liga local.

Nesta semana, o genocídio étnico que deixou mais de 800 mil mortos em Ruanda, em 1994, completa 25 anos. E, para saber um pouco mais sobre o país, o De Primeira bateu um papo com o jogador, que está por lá há cerca de quatro meses.

“O país é bom de se viver. Tem suas dificuldades como qualquer outro, o que é normal também. A torcida é apaixonada e comparece forte em quase todos os jogos, sendo fora de casa ou em casa. A torcida enche o estádio”, conta.

Ruanda tornou-se independente da Bélgica em 1962. Atualmente, o país possui cerca de 11,5 milhões de habitantes. De acordo com a ONU, Ruanda possui um Baixo Desenvolvimento Humano, ocupando a 163ª no ranking de IDH, de um total de 189 países (enquanto o Brasil ocupa a posição número 79).


O clube do brasileiro, o Rayon Sports, é o vice-líder do Campeonato Ruandês e um dos mais tradicionais do país. A liga é composta por 16 equipes que se enfrentam em turno e returno. O Rayon é da cidade de Nyanza, e é o segundo maior vencedor do Campeonato Ruandês, atrás apenas do Armée Patriotique Rwandaise, atual líder da competição.

“O Rayon é um dos maiores clubes de Ruanda. A torcida é bem contagiante e apaixonada pelo clube. Sempre lotam o estádio e nos acompanham em todos os estádios que nós vamos jogar. O pessoal aqui é bem acolhedor. Fui muito bem recebido pelos torcedores, e eles gostam muito de mim. O idioma é uma das minhas maiores dificuldades, mas, fora isso, não tenho do que reclamar. A população aqui trata os brasileiros super bem. Quando eu saio na rua todos me conhecem e pedem foto ou autógrafos. É uma experiência que vou levar para minha vida toda”.


No Rayon, Jonathan é treinado pelo também brasileiro e ex-jogador Robertinho, de 58 anos. O técnico já trabalhou no Oriente Médio, na Tunísia, em Angola e no Fluminense.

“O Robertinho é um cara muito gente boa. Ele é bem mais que um treinador, é um parceirão. Me ajuda bastante, assim como toda a equipe. Ele tem o auxiliar Wagner, que é também brasileiro. Me sinto em casa”.

Jonathan rodou por vários clubes do Nordeste até chegar no continente africano: CSA, CRB e Santa Cruz. No começou da carreira, inclusive, teve uma curta passagem pela Europa, no Red Bull Salzburg.

No clube austríaco, foi treinado pelo então jovem técnico croata Nico Kovac, atualmente no Bayern de Munique.


“Foi uma sensação muito boa ser treinado por um dos maiores ídolos da Croácia, como é o Nico Kovac. Ele é um excelente profissional, gosta muito de brasileiros e, às vezes, até arriscava alguma resenha em português. É muito gente boa. Quando cheguei na Áustria tinha apenas 18 anos e era  tudo muito novo para mim. No início senti bastante dificuldade, mas depois me adaptei, conheci alguns brasileiros e aprendi um pouco do alemão, daí tudo ficou bem mais fácil”, recorda.

Jonathan tem contrato com o Rayon até junho. Ele afirma que teve algumas propostas para retornar ao Brasil, mas vai esperar o fim do seu contrato para definir o futuro.

“Andei recebendo proposta do Brasil, mas tenho muito que analisar e ver o que vai ser melhor pra mim”, encerra.

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