Brasileiro desbrava futebol na Bósnia e relata "resquícios" da guerra

Zagueiro Uirá chegou ao FK Velež em 2019


Nos últimos anos, o futebol da Bósnia-Herzegovina ficou em evidência, principalmente por conta de nomes como Džeko, astro da Roma, e da seleção nacional, que disputou a Copa do Mundo do Brasil de 2014. 

Mas como funciona o futebol no país? Para explicar um pouco sobre isso, o De Primeira encontrou por lá um zagueiro brasileiro: Uirá Marques, de 25 anos.

Ele defende, desde o início de 2019, o FK Velež, campeão da segunda divisão na última temporada. 

"O convite surgiu no começo do ano. Recebi a proposta para fazer parte do projeto, que era subir para a primeira divisão. Graças a Deus, conseguimos e fomos campeões", disse o brasileiro. 


Após conquistar o acesso, o FK Velež estará na primeira divisão ao lado de outras 11 equipes. Na última temporada, o FK Sarajevo ficou com o título da competição.

"A expectativa é das melhores. Todos estão animados com a volta do time para a Premier League, tanto nós, como os torcedores", conta.

O CLUBE E A GUERRA

O FK Velež, clube que abriu as portas para Uirá na Europa, foi fundado em 1922. A equipe fica situada em Mostar, que conta com mais de 100 mil habitantes.

Mostar, inclusive, foi uma das cidades devastadas por conta da Guerra da Bósnia, que aconteceu entre 1992 e 1995 e deixou cerca de 200 mil mortos. O conflito envolveu os três principais grupos étnicos que existiam na Iugoslávia: croatas, sérvios e bósnios.


A guerra, inclusive, destruiu, em 1993, o principal ponto turístico de Mostar: a Ponte Velha, construída no século XVI, durante o período otomano, sobre o Rio Neretva (foto acima). Ela foi reconstruída e atualmente encontra-se protegida com a classificação de Patrimônio da Humanidade da UNESCO.

"É uma cidade muito boa, muito legal de viver. É uma cidade turística, onde tem uma famosa ponte. Na década de 90, passou por uma guerra. Mas hoje é tranquilo, é uma cidade tranquila para viver, acolhedora. Tem algumas marcas, sim, em prédios, nas ruas você consegue ver algumas marcas da guerra. Mas nada demais. Hoje é bem tranquilo", relata.


Apesar de vários nomes bósnios terem se destacado nos grandes centros europeus nos últimos anos, o futebol local ainda vive uma realidade muito diferente das principais ligas. Por lá, inclusive, são raros os jogadores brasileiros, e os principais destaques acabam se transferindo precocemente.

"São poucos brasileiros aqui, sim. No meu time, sou eu e mais um brasileiro. Tinha outro que jogava na minha equipe, mas se transferiu. O futebol daqui é tranquilo, mas é um futebol muito mais pegado", afirma.

Uirá renovou o contrato com o FK Velež nos últimos dias. Seu novo vínculo vai até 2021 com o clube bósnia. O objetivo, claro, é buscar voos maiores.

"Os meus planos são de jogar aqui a primeira divisão e me transferir para um cenário maior do futebol europeu", encerrou.


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