"Quase russo", brasileiro parou de jogar cedo e agora é auxiliar no Zenit

William de Oliveira chegou ao país em 2009

Por Mateus Marinho

Em 2009, William de Oliveira recebia um convite que mudaria a sua vida: morar e jogar na Rússia. O brasileiro adotou o país como casa, rodou por alguns times e, depois de pendurar as chuteiras precocemente, hoje encontra-se num dos clubes mais poderosos do futebol europeu: o Zenit.

William atualmente é auxiliar do técnico Sergei Semak, ex-jogador da seleção russa e do PSG. O brasileiro de 36 anos foi contratado no início de 2019 e, logo na sua primeira temporada, viu o Zenit ser campeão russo.

Em entrevista exclusiva ao De Primeira, ele contou como foi essa transição dos gramados para a nova função.

"A Rússia é a minha casa agora. Depois de quase 11 anos aqui, eu e minha família nos sentimos extremamente adaptados ao clima, às pessoas, à vida em geral. E foi aqui que eu cresci como jogador e treinador. Me formei na faculdade de educação física russa e também conclui minha licença UEFA A. Estou em processo de conseguir a cidadania russa".


O ex-jogador encerrou a carreira no UFA, no início da temporada 2014/2015. Decidiu então seguir no futebol e no clube, mas fora das quatro linhas.

"Eu sempre tive essa ideia de continuar trabalhando com o futebol e me tornar um treinador. Sempre tive interesse pelos treinamentos, perguntava aos treinadores o que estavam fazendo. Já tinha feito um curso de gestão no futebol antes mesmo de encerrar a minha carreira. Por isso, foi bem tranquila essa transição. Como dizem, matei o jogador dentro de mim bem rápido, até porque parei com 32 anos, cedo para muitos jogadores", disse.

Foi no próprio UFA onde William conheceu Sergey Semak, que iniciava a carreira de treinador. O russo, inclusive, foi o responsável por levá-lo ao Zenit na última temporada.

Juntos, a dupla conquistou o título russo pelo tradicional clube, que conta ainda com o volante brasileiro Hernani.


"O Zenit é realmente um novo horizonte para mim. Clube entre os 16 maiores da Europa, média de 44 mil torcedores por jogo, acostumado a ganhar títulos, com estrutura muito boa. Estou muito feliz de estar aqui, ter chegado a este nível tão rápido. Não espero parar, pelo contrário. Esse ano esperamos novamente ganhar o campeonato russo e fazer uma boa campanha na Champions", diz ele, que ainda revelou já ter recebido um convite para trabalhar como treinador recentemente.

"Essa transição tem que acontecer de forma natural. Na verdade, já tive oportunidade de ser técnico, mas não achei que era o momento. Eu trabalho com um grande treinador, vencedor como jogador e treinador, além de ser uma grande pessoa e amigo pessoal, que é o Sergey Semak. Me sinto muito bem na atual função, me sinto importante no clube e isso me satisfaz nesta etapa".

O COMEÇO

William chegou à Rússia em 2009 para defender o Amkar Perm após passar duas temporadas no futebol da Sérvia. Desde então, rodou por times de menor expressão até se transferir para o clube onde encerraria a carreira.

"Eu estava há dois anos jogando na Sérvia, em um clube chamado OFK Beograd. Foi então que apareceu um convite do Amkar Perm, da Rússia. Isso foi em 2009. Atuei neste clube por um ano e meio, depois passei por Shinnik Yaroslav e Dínamo Bryansk, até chegar no UFA".


Segundo William, a adaptação na Rússia não foi das mais complicadas, principalmente por conta da sua antiga experiência na Sérvia. Isso, no entanto, não impediu que fosse enrolado logo na sua chegada ao país.

"Minha adaptação não foi tão difícil porque, antes de chegar até aqui, já tive um experiência na Sérvia. Mas para alguém que acaba de chegar, ela é meio complicada, sim. Idioma, clima, comida e o próprio futebol são difíceis e é preciso muita dedicação, força de vontade para se acostumar a tudo. Histórias curiosas são várias, mas uma vez um táxi me cobrou  5.000 rublos (320 reais) para uma corrida de um quilômetro assim que cheguei aqui na Rússia. Foi a história que mais me marcou (risos)", recorda.

Com a família formada na Rússia e realizado profissionalmente, William projeta no futuro começar a carreira como treinador. Mas, por enquanto, não se vê no futebol brasileiro.


"Um dia tenho vontade  de trabalhar no futebol brasileiro. Mas isso vai demorar alguns anos, pois a Rússia é a prioridade, conheço os jogadores, os clubes e as pessoas que trabalhavam aqui. Me sinto muito bem e não penso em retornar agora".

No próximo domingo, o Zenit tem o primeiro compromisso oficial na temporada. O clube do brasileiro vai encarar o Lokomotiv Moscou na Supercopa da Rússia.

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