Ídolo no Shakhtar, Ismaily lembra convites de Shevchenko e fala sobre interesse da Roma

Lateral-esquerdo é um dos principais nomes do clube ucraniano

 Por Juan Andrade

Já são quase sete anos na Ucrânia. Não passava sequer pela cabeça de Ismaily ficar tanto tempo no país. Mas o brasileiro tomou conta da lateral esquerda do Shakhtar Donetsk, virou ídolo no clube e colecionou taças: são cinco títulos do Campeonato Ucraniano, quatro da Copa da Ucrânia e quatro da Supercopa nacional.

"Não imaginava ficar tanto tempo no Shakhtar. O maior tempo que eu havia ficado em um clube era duas temporadas, mas estou feliz por estar em um clube que me acolheu tão bem e me possibilita conquistar títulos", disse Ismaily em entrevista exclusiva ao De Primeira.

Pelo Shakhtar, onde está desde 2013, Ismaily soma 178 jogos oficiais e 15 gols, segundo dados do site O Gol. O desempenho de Ismaily com a camisa do Shakhtar , aliás, chamou a atenção de Tite, e o lateral-esquerdo acabou convocado para a seleção brasileira em março de 2018 no lugar do lesionado Alex Sandro, da Juventus.


 Ele ficou no banco nos amistosos contra a Rússia e contra a Alemanha e acabou não entrando em campo - Marcelo foi o titular nas duas vitórias do Brasil, que já se preparava para a Copa do Mundo da Rússia.

"Foi um momento especial na minha carreira. Ser convocado para defender a seleção do seu país é uma honra muito grande, poder estar ao lado de tantos jogadores consagrados foi um enorme aprendizado. Obviamente que o Campeonato Ucraniano não tem grande visibilidade e isso dificulta os planos de retornar à seleção. Há sempre uma concorrência muito grande, mas, fazendo uma boa Champions League, tudo pode acontecer. Em relação a não ter sido utilizado nos jogos, é claro que gostaria de ter estreado pela Seleção, mas entendo que era um momento importante de preparação às vésperas da Copa do Mundo e era preciso preparar bem a equipe", lembra.


O sucesso de Ismaily pelo Shakhtar não chamou apenas a atenção de Tite, mas também do maior jogador ucraniano de todos os tempos: Andriy Shevchenko, que marcou época com a camisa do Milan.

O lateral-esquerdo brasileiro conta que ele recusou dois convites do treinador da seleção da Ucrânia e optou por não defender o país.

"Fui convidado pelo Shevchenko para ingressar na seleção ucraniana ainda antes de ter sido chamado pelo Tite. Mesmo depois da convocação para a seleção brasileira, fui novamente convidado para me naturalizar ucraniano. Por não ter estreado pelo Brasil, ainda posso defender outra seleção. Mas agradeci e recusei o convite. Tenho muito carinho pela Ucrânia, mas entendi que, no momento, não deveria me naturalizar", afirma.


Na Ucrânia, Ismaily também caiu nas graças de outro treinador: Paulo Fonseca, com quem trabalhou nas últimas três temporadas.

O técnico assumiu a Roma nesta janela de transferências e, segundo a imprensa italiana, fez questão de pedir a contratação do brasileiro ao clube.

E o brasileiro não fechou as portas para o time da capital italiana.

"Obviamente que os treinadores têm seus jogadores de confiança. Nos três anos em que trabalhei com o Paulo Fonseca, fui o jogador mais utilizado. Fico feliz por ter meu nome associado a um clube como a Roma. Disputar ligas mais fortes e competitivas é o desejo de todos jogadores e comigo não é diferente", disse.

Natural de Ivinhema, no Mato Grosso do Sul, o lateral deixou o país muito cedo rumo ao futebol português. Por aqui, defendeu o clube da sua cidade natal, além do Desportivo Brasil-SP e o São Bento-SP.

Ele não descartou voltar ao Brasil no futuro, mas fez algumas considerações.


"Fiz minha carreira praticamente toda fora do país, já são mais de 10 anos na Europa. Talvez possa acontecer no futuro e disputar o Campeonato Brasileiro, mas apenas se eu estiver bem e sentir que possa contribuir para a equipe. Não quero retornar apenas para encerrar a carreira sem que possa ser competitivo", garante.

Neste começo de temporada, Ismaily já soma seis jogos disputados e um gol marcado. Terá pela frente a missão de ajudar a manter a soberania do Shakhtar na Ucrânia (o clube é o atual tricampeão nacional) e na disputa da Champions League - a equipe está no Grupo C ao lado de Manchester City, Atalanta e Dinamo Zagreb.

"São muitos títulos nacionais, mas a minha maior ambição no clube é fazer boas temporadas nas competições europeias, sabemos o quanto é competitiva a Champions League e a Liga Europa. Há três anos, chegamos na semifinal da Liga Europa e ficou uma sensação de poder fazer mais", encerrou.

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